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segunda-feira, 9 de junho de 2008

QUESTIONÁRIO PROUST com Isabela Capeto

Isabela Capeto, estilista: "Sou feliz do jeito que sou".

Se Isabela Capeto tivesse patins, talvez percorresse mais rápido a correria entre São Paulo - onde acaba de abrir a segunda loja, no reduto de margaridinhas, Daslu, vizinha de Cris Barros e em frente à Juliana Jabour -, Rio e misteriosas cidadezinhas de lugares remotos do Brasil, fontes de pesquisa para o verão 2009, que apresenta no SPFW no sábado, 21.

Correria pré-desfile é clichê; não falar sobre as inspirações da coleção, idem. Mas Isabela dá pistas de que vai ser 100% ela mesma na próxima estação com as artesanias que jogaram seu nome pro alto. Verão é especialidade nacional, combina com essa mão leve e, mmm, romântica de Isabela, e faz sucesso em hemisférios cuja especialidade é o frio sem que ela tenha que fazer concessões. (Isabela acrescentou mais uma semananinha de moda na sua vida, o Rio Summer, organizado por Nizan Guanaes e previsto para outubro).

É possível que a gente a reconheça mais do que no inverno 2008: uma coleção carregada de pretos, com pontos de vermelho-sangue, zíperes, bem street. Agressiva, quase punk, para uma moça de tons delicados e bordados miúdos. "Fiz pensando no mercado exterior", me confessou ela na época. São aqueles 'cutuques' que fazem o estilista sair da zona do mesmo. "Não quero ficar conhecida como a estilista disso ou daquilo, quero experimentar. Sei que nunca vou ser sexy, com decotão, mas quero tentar esse caminho também", confessou entre as araras da coleção passada.

Junto com Ronaldo Fraga, Isabela é querida dos modernos na França e no Japão. E, me contou uma jornalista de moda de Tóquio, só não vende bem entre as japonesas status-oriented, que não entendem porque pagar um preço Gucci por uma Isabela Capeto. Status não é tudo nessa vida e talvez não seja nada. Isabela já tem suas araras garantidas, um espaço único no nosso closet e lá suas questões existenciais. Que ela dividiu comigo e eu, com vocês.

Qual é seu estado de espírito no momento? Feliz.
Qual seu maior medo? De que algo ruim aconteça com minha filha, Francisca.
Qual a característica que mais odeia em você mesma? Perfeccionismo.
Qual a característica que mais odeia nos outros? Arrogância.
Que pessoa viva você mais admira? Minha filha.
Que pessoa viva você mais despreza? Não desprezo ninguém.
Quando você mente? Quando é necessário.
O que ou quem é o maior amor da sua vida? Minha filha.
Em que momento da sua vida você foi feliz? Em muitos: quando morava na Itália, quando tive a Francisca, quando me casei...
Que talento você mais gostaria de ter? Ser boa nos esportes.
Se pudesse mudar alguma coisa sobre você, o que seria? Sou feliz do jeito que eu sou.
O que você considera sua maior conquista? Minha casa.
Se você morresse e pudesse voltar como uma pessoa ou coisa, o que seria? Um esportista, campeão das Olimpíadas - deve ser incrível!
Qual sua ocupação favorita? Ir à praia.
Quem são seus escritores favoritos? Gabriel Garcia Márquez.
Quem é seu herói na ficção? Helen Parr, de Os Incríveis.
Quem são seus heróis na vida real? Meus pais.
Quais são seus nomes favoritos? Francisca e Sebastião.
Qual seu maior arrependimento? Não tenho nenhum. Tudo o que eu passei me trouxe algo de bom. Sempre tem um lado positivo.
Como você gostaria de morrer? Dormindo.
Qual seu motto? Toyota.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

QUESTIONÁRIO PROUST com Camila Cutolo



Camila Cutolo, estilista, 31 anos: Maria Garcia no line-up do SPFW.

Na próxima edição do SPFW, de 17 a 23 de junho, Camila Cutolo deve aparecer no fim da passarela com um figurino “despretensioso”. Converse, que Camila acha a melhor invenção de moda de todos os tempos, é uma certeza (do lado oposto, a pior invenção e moda são as alças de silicone). Mmmmm... a não ser que no dia do desfile de estréia da Maria Garcia na semana de moda de São Paulo – marca irmã da Huis Clos que a estilista toca desde 2001 – ela decida pisar baixo com botas sem salto, coisa que prefere a sapatilhas & afins. Ela também prefere cores a estampas. E, se pudesse inventar algo que não fosse moda, queria finalmente tirar do mundo das idéias a máquina do tempo – fetiche de muita, muita gente. Para um jantar dos sonhos na sua casa, convidaria Robert Smith, Morrissey, Lou Reed, Javier Bardem, Paul Smith e “TODOS os meus amigos que eu não dou conta de celebrities sem eles”. Num truque de último segundo para salvar um look do tédio, recorreria a acessórios: óculos, colar, cachecol e o sapato certo. “Este item exige mais do que alguns segundos para acertar”, diz. Mas se tem um sapato sempre certo, indulgência de moda pura, são as pirate boots da Vivienne Westwood – a compra mais idolatrada do seu closet. Mesmo assim, se na próxima vida Camila puder escolher como que roupa ou acessório ela quer reencarnar, não seriam as pirate boots. Ela quer voltar como um par de óculos. “Eles passam por inúmeras experiências porque todo mundo perde óculos – portanto você muda de vida na mesma vida. E, se não perde, dá ou vende, mas ninguém joga fora.” À beira de um ataque de nervos a menos de um mês do desfile, Camila respondeu para mim o questionário Proust. “Agora que eu já respondi tudo, vou pedir alta da análise”, brinca. Sobre a coleção, ela não fala. Mas quem conhece a moda Maria Garcia – fofa, cheia de sacadas de produção, bons tecidos e releitura 2008 dos clássicos cinqüentinha – não deve se desapontar.

Qual é o seu estado de espírito no momento?
Tenso e cansado.
Qual o seu maior medo?
Solidão.
Qual a característica que você mais odeia em você mesma?
Timidez.
Qual a característica que você mais odeia nos outros?
Ignorância.
Que pessoa viva você mais admira?
São muitas.
Que pessoa viva você mais despreza?
Bush.
Quando você mente?
Quando não faz mal a ninguém.
O que ou quem é o maior amor da sua vida?
Minhas gatas.
Em que momento da sua vida você foi feliz?
Sempre fui feliz – às vezes mais, às vezes menos.
Que talento você mais gostaria de ter?
Tocar baixo.
Se você pudesse mudar uma coisa sobre você, o que seria?
Pediria um plus de coragem.
O que você considera sua maior conquista?
Meu trabalho.
Se você morresse e pudesse voltar como uma pessoa, o que seria?
Voltaria eu mesma, ganhadora de loteria aos trinta anos.
Qual a sua ocupação favorita?
Pesquisar música.
Quem são seus escritores favoritos?
Não tenho escritor favorito, tenho um livro favorito: Amor nos Tempos do Cólera, do Gabriel Garcia Márquez.
Quem é seu herói na ficção?
Snoopy.
Quem são seus heróis na vida real?
A vodka e o energético.
Qual o seu maior remorso?
Não ter até hoje me juntado a uma entidade de proteção aos animais.
Como você gostaria de morrer?
Não queria morrer nunca, mas se eu não conseguir que seja dançando.
Qual o seu lema?
Ser feliz e leve e espalhar isso para todos que me cercam.