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segunda-feira, 15 de março de 2010

FASHION GURU Oliver Zahm, da Purple

O Style.com vem publicando uma série de entrevistas sobre o futuro da moda. Selecionei (e traduzi) aqui as pérolas roxas de Oliver Zahm.

"O amor de Olivier Zahm pelas mulheres é sabido, notório e documentado pelo próprio. Mas este francês, editor e fundador da revista independente, bianual, Purple Fashion, tem muitas outras paixões: arte, moda, seu uniforme diário de jeans branco (ou cinza) + jaqueta de couro Yves Saint Laurent, festas, liberdade.

Talvez haja um elemento de auto-promoção por trás de tudo isso, mas num mundo cada vez mais conformista, Zahm oferece uma voz astuta, original e divertida. Durante nossa conversa, feita por telefone no mês passado entre NY e Paris e de alguma forma resumida aqui, ele discutiu sua convicção de que revistas existirão enquanto a moda existir, a sua suspeita de que a crise econômica tenha sido só um jeito de amedontrar as pessoas e seu desejo ardente de que o mundo em geral _ e Lindsay Lohan em particular _ parem de gastar tanto dinheiro em roupas.

Por Dirk Standen

Qual foi o impulso por trás do Purple Diary?
Foi meio por acidente, porque Purple Diary era apenas uma seção de um projeto maior. Comecei a tirar fotos diariamente de festas e imagens da minha vida, então precisava de um jeito interessante de usar essas fotos sem deixá-las em arquivos digitais para desaparecerem. Porque agora tudo desaparece. É digital e se você não copia no HD, as imagens desaparecem depois de um ou dois anos. Então, tive essa ideia de fazer um diário pessoal, íntimo, misturando privacidade com minha vida pública e criando uma espécie de contraste e coexistência entre o que é realmente pessoal, como sexo e amor, e o que é realmente público _ uma festa, um desfile, uma exposição. Ficou interessante porque quebrar essas barreiras é justamente o que a internet faz. Para as celebridades, é um pesadelo, mas para mim é um prazer. É uma opção. Adoraria ir mais fundo na intimidade, mas minha namorada e minhas amantes ficam relutantes.

As reações ao blog surpreenderam você?
O que me surpreendeu foi a quantidade de gente. Imprimo 60 mil cópias da Purple por estação e tenho 100 mil visitantes semanais no blog - portanto mais visitantes por semana na internet do que por edição da revista. Pelas discussões, posso ver que as pessoas sabem onde estive, o que fiz, se vi esse filme ou aquela exposição e isso tem mudado a minha vida, a forma como eu interajo com as garotas, com os amigos. Só não mudou a forma como eu interajo com os anunciantes (risos).

Vamos falar sobre isso.
Bem, não encontrei o jeito certo de fazer um dinheirinho do blog porque não estou interessado em anunciantes regulares. Acho que isso seria péssimo. Então, nao quero nenhum tipo de anúncio. Estou buscando um jeito de envolver as marcas, mas ainda não encontrei e isso não é minha prioridade.

Você diz que gostaria de ir mais fundo na intimidade?
É delicado porque respeitos as garotas ao meu redor. Elas são de carne e osso e eu respeito a privacidade delas, portanto não posso ir muito longe. Mas as vezes é divertido e elas encaram a ideia. Às vezes, estão emocionalmente envolvidas e fica mais difícil - e eu compreendo. Para mim, sexo e amor são as coisas mais bonitas da vida. Mais bonitas do que uma paisagem - então, eu adoro tirar fotos das garotas nesses momentos privés porque elas estão oferecendo o lado mais bonito delas. É um presente de deus. Não sou new age, não sou místico, apenas amo essa beleza e capturá-la com uma câmera para dividi-la. E Purple é um estilo de vida. Com a minha revista, o que quero é ser mais livre e quero que as pessoas sejam mais livres, abertas às possibilidades de contato, amor, sexo. Purple é um estilo livre, não de um jeito babaca, infantil, imaturo - até porque agora eu tenho 45, 46. O blog também tem essa vocação. Se minha vida fosse perfeita, ela seria como o Purple Diary. É uma ilusão também. Estou cosntruindo um personagem.


Você já disse que a internet não é um meio criativo.
Para a moda, não é. Para a moda, o meio criativo é a revista, onde a fotografia não mostra apenas as últimas coleções e as roupas e sim jeitos de usá-las. Elas capturam um espírito, um certo momento no tempo - e isso é criatividade na moda. É uma maneira de encarnar e interpretar a moda. Na internet, não vejo isso - mas talvez eu esteja errado. Televosão não é um meio para a moda de jeito nenhum. Aliás, não acho que a tv seja meio para alguma coisa a não ser para controlat a população e fazê-la mais estúpida. Definitivamente a internet é um meio para a interação, para o contato. Não para a criatividade.

Então, você não vê a internet desbancando as revistas?
As revistas comerciais serão substituídas, porque a internet é um lugar melhor para o comércio e para a informação imediata. A internet é a oportunidade para as revistas porque as força a ser mais criativas e explorar a sua real essência e a sua razão de ser. E a razão de ser não é o comércio. Revistas também existem para educar, pela energia, pelo voyerismo, pela sensualdiade, pelo prazer, por muitas razões. Não apenas para vender produtos. Essa é a razão pela qual agora no Japão nào há boas revistas de moda. É um desastre porque eles apenas consideram as revistas uma extensão da publicidade. Esse tipo de revista, estritamente comercial, vai morrer porque há mais contato, informação e possibilidade de compra pela internet. Mas uma revista realmente criativa não pode ser substituída porque um site realmente criativo não existe e não existirá. Ninguém quer olhar um editorial na tela, ou você quer?

Bem, ninguém conseguiu fazer um bom trabalho ainda.
É muito difícil. Talvez alguém muito criativo consiga um resultado divertido, surpreendente. Talvez em breve vejamos um site de arte ou moda que possa mudar o estado das coisas. Eles precisam do formato da tv, algo que se mova? Não sei, é complicado. Pra mim, o futuro das revistas equivale ao futuro da moda. Se a moda desaparece, as revistas desaparecem. Enquanto a moda tiver algo para dizer e for um sonho imaginado por gente louca como John Galliano e Sonia Rykiel, teremos revistas. Faremos as melhores revistas possíveis, porque elas existem para celebrar essas mentes. Os designers são a verdadeira inspiração para as revistas de moda - os artistas, os arquitetos, os diretores de cinema, enfim. Enquanto houver arte e moda, revistas serão boas.

Desfiles, ao vivo, ainda importam? Qual a distância entre Nick Knight filmar o desfile de Alexander McQueen para uma apresentação sem público?
Para mim, a internet é só uma extensão da realidade. Não pode substitui-la. O desfile é uma cerimônia, uma cerimônia religiosa atentida por crentes de verdade. Você não vai a uma apresentação da Comme des Garçons se não acredita na Comme des Garçons. Se você não acreidta, vai a um jogo de basebal? Precisamos da cerimônia, precisamos que elas se superem, precisamos de testemunhas. A internet é apenas um jeito de ampliar a audiência e abrir a cerimônia para mais pessoas. Não vejo competição. Introduzir a internet num desfile, como Knight fez com McQueen, é também transformar o formato de um desfile. Usar a tecnologia é o futuro dos desfiles. Mas isso não quer dizer que eles vão acabar, certo?

Há muitos desfiles agora? Se você é a favor da liberdade, todos têm o direito de desfilar?
Sim, mas você só vai aonde quer ir. Ou só vai aonde não é convidado. O desfile é um momento muito importante, 5 ou 10 minutos de pura moda, livre de tudo, livre do comércio. É preciso preservar esse momento, o conceito psicológico do potlatch, onde se gasta dinheiro apenas pelos fogos de artifício. Celebramos e apenas celebramos e gastamos porque amamos a moda. Temos de ir aos desfiles com isso em mente, com esse espírito.

As pressões comerciais sobre os estilistas são muito fortes agora? Eles estão fazendo 8 ou mais coleções por ano. É possível ser criativo nessas circunstâncias?
É verdade e um grande problema. Não sei como aguentam a pressão. É hardcore. É preciso ter um bom time, ser respeitado e protegido isso. Pelos meus amigos vejo como é difícil suportar e vejo que eles não sabem exatamente como reagir. Eles não podem dar uma de Monsieur Saint Laurent e dizer "oh, desculpe, estou doente, tomei muitas drogas e não posso finalizar a coleção, vou para Marrakech". Bons tempos (risos). Eles seriam despedidos imediatamente.

Como você explica Karl Lagerfeld?
Eles tem um ótimo time e sabe guiá-los na mesma direção. E ele e muito rápido para encontrar ideias. Não perde um dia, uma hora, um minuto. é excepcional. Ele encontra ideias tão rápido porque é uma enciclopédia; sua mente é uma enciclopédia. Ele abre um livro dentro da cabeça e, toc toc toc, esse capítulo para esse ideia, boom boom, e aí ele põe tudo para funcionar numa mesma direção. E tudo é articulado e claramente organizado dentro do seu cérebro. Ele não se confunde nem tem ideias demais. Sua cabeça é clara e estruturada. Ele é uma enciclopédia viva. É mais rápido do que a internet, do que o google.


A fast fashion afetou o luxo?
Nào vejo um problema. É parte do jogo. O sistema da moda é uma grande máquina copiadora. Copiao passado, as tribos, os trabalhadores... Não acho isso negativo. Até Martin margiela tem uma linha qe é feita exatamente para reproduzir suas próprias roupas. Essa é a essência da moda. Como copiar? Esse é o problema: como você copia, o que você copia e como mistura diferentes cópias. Todas as roupas já foram feitas. Elas apenas são refeitas, refeitas, refeitas.

A situação econômica foi apenas um momento ou mudou tudo?
para mim, 2010 é um novo começo. Esotu muito otismista. Todo mundo está se fiando na crise econômica, mas para mim a real motivação da moda é o desejo. Este é um período para a gente seguir em frente ou é um período deprê no sentido psicológico? Para mim, está tudo aberto. É uma década nova, isso me anima. Temos mais alguns anos pela frente, vamos viver. Temos sorte de viver num mundo privilegiado. Crise econômica é só uma intoxicação em massa. Somos ricos, inteligentes, bonitos - então, qual o problema? A crise foi só um jeito de amedrontar e fazer as pessoas trabalharem mais. Não existe crise. Sempre foi difícil conseguir dinheiro e sempre será - especialmente quando você quer ser livre e fazer o que quer, ir aonde quer ir. E se o sistema bancário vai entrar em colapso, eu vou continuar a fazer a minha revista.

Falando sobre a sobrevivência da revista, eu acho que o jeito como você se veste é uma decisão conciente de se transformar em grife para aumentar a visibilidade da Purple.
Usar o mesmo uniforme todo dia é um jeito bacana de evitar despesar extras em tempos difíceis (risos). Coloquei Lindsay Lohan na capa da Purple, mas não concordo com a obsesão dela de comprar, comprar, comprar todo dia o máximo de roupas. Faço uma revista de moda - e sei que estou sendo gravado - mas eu amo todas as pessoas que amam moda a ponto de comprarem o mínimo de moda, apenas o que eles desejam muito, e que amam moda a ponto de lavarem corretamente as roupas (risos). Qual era mesmo a pergunta? Ah, sim, hoje moda é celebridade, então você tem que se glamourizar se quer ser levado a sério num mundo superficial. É preciso parecer glamouroso para que as pessoas acreditem que você faz parte do jogo. Antes eu achava que para fazer parte era preciso ser invisível. Mas isso foram os anos 90, com o sistema anti-star, anti-fashion, anti-grifes. Eu fui como Martin margiela e Helmut Lang, mas em 2001 eu mudei completamente. O que foi relevante nos 90 não é mais. E, em 2010, tudo mudou de novo. Não basta ser celebridade. Ninguém liga. É preciso seguir em frente."

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Alexander, o grande

Todos ficamos chocados _ há poucas coisas tão perturbadoras para o ser humano quanto o suicídio.

Mas Alexander McQueen _ um dos raros e talvez o último dos românticos na moda _ parece ter escolhido um ponto final eloquente para sua trajetória e visão de mundo. Uma espécie de Werther do século 21. Há um senso de fatalidade em ser romântico porque os românticos não procuram refúgio do presente. Há um senso de fatalidade na moda de McQueen. Há fatalidade na sua morte.

Como todo herói romântico, McQueen tinha um desconforto com o hoje. A vida não é fácil, o mundo não é bonito, o pacote não é para polianas.

Um jeito de (não) lidar com a realidade é responder à moda Dior, New Look - escapar para um planeta particular onde tudo é belo e não há dramas, se refugiar num lugar fictício e feliz onde só existe beleza e beleza doce, gentil e feminina.

É uma das funções da moda, aliás, já bem notada por Charles Baudelaire, um dos primeiros a creditar função cultural às roupas e não perdoar nostalgia em ninguém. Roupas não só têm de falar do hoje, mas "a moda deve ser considerada, pois, como um sintoma do gosto pelo ideal que flutua no cérebro humano acima de tudo o que a vida natural nele acumula de grosseiro, terrestre e imundo, como uma deformação sublime da natureza, ou melhor, como tentativa permanente e sucessiva de correção da natureza."

Escapar, na moda (e na vida?), não é necessariamente pior nem mais covarde. É humano acreditar que no passado ou numa terra distante tudo é melhor.

McQueen experimentou esses escapes (Japão - quimono, Brasil - cores, Rússia - czares, anos 50 - loiras gélidas de Hitchcock). O verão 2007, por exemplo, é um revival da Inglaterra edwardiana. Mas, quando se coloca McQueen entre os grandes de hoje (MJ, Galliano), foram poucas as viagens no tempo, a cara fin de siècle do fim do século 20, começo do 21.

Em grande parte das coleções, McQueen não teve medo do feio, do grotesco, do perturbador. Seus desfiles-espetáculo deixavam isso claro, dos temas sombrios (bruxas de Salém, estupro, carrosel macabro, hospícios, a dança interminável do desfile inspirado no filme They Shoot Horses, Don't They?, de Sydney Pollack, sobre a era da depressão na América Roosevelt) aos jogos de cena que transformaram sua passarela num dos programas mais concorridos para a plateia da moda.

A resposta _ muitas vezes descrita como "agressiva", "punk", "iconoclasta", "anticonformista" _ vinha em forma de couro-fetiche, a alfaiataria aprendida em Savile Row (que produziu os melhores tailleurs desde a era de ouro da dupla), a influência dos uniformes militares, o preto. Era a beleza extraída direto do drama e do pessimismo ou, como diz Baudelaire, o seu jeito de corrigir as deformações da natureza.

Como todo bom romântico, McQueen tinha também esperança _ e os vestidos de chiffon, a silhueta ampulheta, a renda, o maxibalonê, o bordado, as estampas, os pássaros, as plumas atestam um otimismo. Não a esperança dos tolos, mas aquela que espera, no fundo, ser desiludida no fim. Era o seu lado mais complexo e mais poético, capaz de produzir cenas memoráveis, como a projeção holográfica de Kate Moss no fim do inverno 2006 (a mesma dos tartãs, uma referência a suas origens escocesas).

Todos esse elementos apareceram nas coleções de McQueen nos seus 15 anos de carreira, desde a formatura no Central St. Martins, 100% comprada pela editora Isabella Blow (sua musa para o verão 2008).

Fiel a seu vocabulário, sem compactuar com nada, McQueen deu uma aula sobre o que é ser um estilista. As características da sua moda (o preto, os vestido, etc, etc...) (a)pareceram sempre novos a cada coleção. Às vezes mais, às vezes menos, McQueen soube usá-lo a cada temporada para reescrever histórias diferentes. Nos últimos cinco anos, de forma infinitamente mais sofisticada do que no começo dos anos 2000.

A beleza é que McQueen, de fato, não se conformou. Não comprometeu sua visão de mundo e sua maneira de representá-la em forma de roupa em nome das tendências ou do mercado (não custa lembrar que, em 15 anos de carreira, só no último ano e meio a marca saiu do vermelho para o azul). Como um genuíno romântico, há uma melancolia quase cínica _ que nada mais é do que um wake up call _ nas suas coleções. O inverno 2009, uma espécie de Dior cruza Chanel, McQueen traduz em roupas impecáveis e altamente desejáveis para qualquer closet em sintonia com o hoje o desencanto com uma moda que só faz insistir na reprodução dos best sellers do século 20. Qual o novo caminho?

Na última coleção, o verão 2010, apresentado em 6 de outubro de 2009, em Paris, McQueen volta ao assunto da ação deletéria do homem e da industrialização sobre a natureza, explorado no verão anterior. Desta vez, McQueen mostra que voltaremos do cataclisma como habitantes de uma espécie de Atlântida, meio humanos, meio répteis. As formas eram arredondadas como as de peixe, os minivestidos foram estampados digitalmente e o plano era o de exibir o desfile pela internet ao vivo _ abortado por excesso de audiência causado pelo twitter de Lady Gaga, que convidou os mais de 1 milhão de seguidores a assistir a première do seu single na passarela. Era a tecnologia a serviço da moda _ e do homem _ jamais, como bom romântico, o contrário. A última coleção de um estilista inconformado e ao mesmo comprometido com o presente.

Por fim, uma das explicações sobre a motivação para o inverno 2008. Romantismo puro:

"Tenho um olmo de 600 anos no meu jardim e então inventei a história de uma menina que vive dentro dele e sai da escuridão para encontrar um príncipe e virar uma rainha", disse.

No twitter, no domingo 7, McQueen resumiu em 140 caracteres que precisava se recompor (sunday evening been a f****** awful week but my friends have been great but now i have to some how pull myself together...).

Românticos não pretendem conseguir.

(eu gostaria muito de saber que cara tem o inverno 2010, que seria desfilado em duas semanas. e acho justo que a marca pare de existir)

O que fica é o pedido para que a moda e o mundo se conectem com o presente e sejam mais humanos. Meus favoritos:


Alexander McQueen na última aparição na passarela, verão 2010



Resort 2010: vestido de renda com silhueta ampulheta é uma especialidade da casa



Resort 2010: nas pré-coleções, McQueen atinge o ponto perfeito entre seu desejo de moda e a exigência comercial. O cotidiano, com McQueen, nunca é banal



Inverno 2009: a desilusão com a moda atual, que se esconde nos best sellers de outros tempos em busca de sucesso de vendas, mas precisa se libertar em busca de outros caminhos



Verão 2009: coleção animal, com um McQueen otimista-cínico em grand finale



Inverno 2008: uma viagem étnica e czarista



Verão 2008: quimono ombré na homenagem à Isabella Blow



Verão 2007: superbalonê e transparência velada da coleção edwardiana



Inverno 2006: projeção holográfica de Kate Moss é um dos marcos da tecnologia digital a favor do desfile-espetáculo



Verão 2006: camiseta-panfleto em apoio à amiga Kate Moss, capa de revistas sensacionalistas cheirando cocaína



Inverno 2005: musas de Hitchcock



Inverno 2004: alfaiataria inconformada com as regras



Verão 2004: dance até cair, uma das apresentações mais melancólicas e poéticas, inspirada no filme de Pollack



Inverno 2003: viagem nômade a um espaço desolador



Verão 2003: as araras brasileiras



Inverno 2003: alfaiataria e renda, os dois lados da personalidade de McQueen



Verão 2001: pássaros, um tema recorrente para quem conhece e quer escapar da loucura do cotidiano

sábado, 28 de fevereiro de 2009

FASHION GURU Edna Woolman Chase sobre glossies nos tempos difíceis

Edna Chase, no centro, e, à direita, Iva Patcevitch, presidente da Condé Nast, numa jam session no estúdio do fotógrafo Gjon Mili, da Life. NY, 1943.  


Edna Woolman Chase, a editora que mais tempo ficou à frente da Vogue América – entre 1914 e 1951 – fez um discurso diante do Fashion Group de Nova York, em 1941, que bem poderia retumbar nos ouvidos de hoje diante da nova situação econômica do mundo:

"Quando sou questionada sobre a guerra, as pessoas me perguntam 'será muito difícil editar uma revista de luxo como a Vogue em tempos como esses? Você acredita que haja esperança de sobrevivência?'. Minha resposta é... que tipo de revista você pensa que é Vogue? Moda não seria moda se não conformasse o espírito, as necessidades e as restrições da sua época."

Sábia Chase. 

sábado, 13 de dezembro de 2008

FASHION GURU edição do closet

Último post de 2008 e um dedicado a começar o ano mais leve e mais fina. beijos

(para Loulou)


Ilustração de Ricardo Toscani inspirada no armário da Loulou


Loulou é uma menina muito, muito inteligente. O que não significa que seus cachinhos dourados não fiquem lisos diante da idéia de passar por uma limpeza de closet.

Mas, desconfio, a virada para 2009 + os novos tempos (vcs leram no NYT que se trata de uma revolução, tipo Dior '47, crise do petróleo '70s, daquelas que muda para sempre o jeito de vestir?) pedem uma boa limpeza. E Loulou, darrrling, você não pode mais deixar para amanhã.

Eu já fiz várias, de maneira organizada como os meninos Jesse Garza e Joe Lupo, autores de Nothing to Wear?, me ensinaram.

E agora Nina Garcia, do Project Runaway e da Marie Claire US, ensina.

Posso dizer o seguinte: é tudo uma questão de lógica e tudo parece óbvio e fácil como cozinhar miojo (arrgh!). Mas a única vez que eu tentei fazer miojo na vida eu errei (ufa!) e eu garanto: diante das peças que acumuladas por décadas (não é, Loulou?), a gente fica tão emotiva que a lógica vai para as cucuias.

Então, apegue-se à Nina Garcia e a Sissi como se fôssemos Expedito, o santo das causas impossíveis.

Só ele(a) para ajudar você nessa hora difícil e sensível que é a edição do closet. A saber, as aspas dela e os meus comentários:

1. JOGUE FORA O QUE VOCÊ NÃO USA E O QUE NÃO FICA BEM EM VOCÊ. Dureza é admitir que você nunca mais vai usar aquela minissaia de pelúcia de leopardo - ainda mais agora que Tory Burch fez coletes fake do felino. Mas, querida, encare a vida: a moda colocou o leopardo fake na gaiola certa. Mini é muitoooo risqué. Colete é engraçado. Isso é só um exemplo da conversa que você vai travar com cada uma das peças entocadas no fundo do seu armário. Prepare-se para ouvir por horas as vozes do diabinho e do anjinho da moda. Para agüentar, tia Nina sugere que você se dê de presente uma peça-desejo para cada 20 que mandar para a sacola marcada com 'já vai tarde'. Eu acho uma marca alta - espero que você não tenha 20 peças para mandar embora. Mas desconfio que seja o caso da Loulou. Seja como for, você captou a necessidade de ter uma cenoura na sua frente, sim?

2. COMPRE O TAMANHO CERTO. Tenha fé de que vai acontecer, mas não conte que você vai perder 5 quilos na hora de comprar uma roupa. "É melhor ser realista e aproveitar o que aquela peça pode fazer por você naquele momento", diz Nina. Isso significa que não adianta adquirir um tubinho Léger se você vai se sentir como um salame francês, compreeende? Melhor um vestidinho mais amigo, assim, um André Lima vaporoso? Do contrário, você vai se sentir deprê cada vez que abrir o armário.

3. NÃO SE DEIXE SEDUZIR PELO OFF, OFF, OFF! Sim, ninguém discorda que ir ao Marcas&Cia e comprar um sapato masculino de píton Maria Bonita por 500 reais - valor cheio, 1,5 mil reais - é uma barganha. Mas se você nunca levar o par para dar uma voltinha, bem, vou dar uma notícia: você não mais economizou 1 000 reais e sim jogou fora 500 reais.

4. AI, NÃO SEJA TÃO SANTA. Moda é diversão (esse é meu mantra). Se você não consegue sair da linha, precisa experimentar a ótima sensação de colorir outros espaços em branco. "Você deve se sentir inspirada pelo conteúdo do seu closet", diz tia Nina. "E 20 saias pretas dificilmente tiram alguém do tédio como uma única saia bordada." Make it a Blumarine!

5. NÃO SEJA DOMESTICADA PELAS TENDÊNCIAS. Simples assim: se um vestido amarelo Isabella Giobbi não fica bem em você, por que insistir? Sim, o amarelo é de novo a cor do verão. Mas está longe de ser a única. Então, take a walk on the wild side e se afaste do que dita o mercadão. Seja fiel ao que o seu espelho manda.

6. SEJA MEL GIBSON NA HORA DE EDITAR. Querida, se você agüentou ver cinco segundos da batalha de Coração Valente entende o tipo de coragem necessária para decepar peças do seu armário. Parece autoflagelo, mas não venha de 'bibibi'. Por razões sentimentais você guarda o guardanapo do acarajé que dividiu com seu primeiro namorado na viagem para Salvador. Não guarda 25 camisas xadrezes de quando decidiu ser grunge. Não se apegue a uma peça só porque investiu o salário de três meses nela. Monte um bazar como o da Rita Wainer e deixe que a peça, até então encalhada, vá ser feliz no corpo de uma outra menina. "Seu armário deve conter apenas aquilo que fica bem em você", diz Nina Garcia. "Do resto, eu prometo, você nunca vai sentir falta."

E eu prometo que, a cada limpeza que você faz, mais seu estilo se refina. E mais você fica fina.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

FASHION GURU Como gastar - eis a questão


Publicidade do banco Well Fargo, um dos primeiros a oferecer cartão de crédito, há 40 anos: o plástico que mudou nosso jeito de comprar!


Não é que eu vá usar isso como desculpa para gastar. Mas, convenhamos, se eu (+ você + todo mundo) não tirar meu cartão de crédito da microcarteira Louis Vuitton (não sou uma IT-bag girrrl, mas a Constance está nos meus planos), toda uma engrenagem está fadada a emperrar.

Da Europa, uma amiga jornalista (que morou em Londres-Madri-Paris e agora está em Barcelona) reporta que crise é o assunto dsa conversas em torno da cerveja e do cigarro. Amigos e inimigos dela são demitidos todos os dias. Tem mais gente perambulando nas ruas atrás de uma vaga. Qualquer.

Então, apesar da minha não-vontade compradeira, pensei que dinheiro é o que faz o mundo girar. Mas há jeitos e jeitos de girar: sair gastando ou comprar com sabedoria.

Cartões de crédito e limites de cheque especial ajudaram muito nossa geração a 'sair gastando'. É prático, rápido, indolor e, verdade seja dita, um dos melhores contos que a fada do consumo poderia inventar!

Poder parcelar em X vezes ou gastar além do dinheiro real na conta dá a falsa idéia de que temos muito mais tutu, bufunfa, grana, cifras, dinheiro - enfim, poder de compra - do que na verdade temos. É uma promessa de dinheiro.

Vamos encarar a realidade. Comprar agora e pagar depois é bom, mas, como a crise vem provando, nada supera o dinheiro real. Compre-agora-o-que-puder-pagar-agora.

Então, aí vai alguma sabedoria coletada com experts (que preferem, claro, continuar glamourosamente anônimas) no pesadelo 'pague para entrar, reze para sair' do vermelho (complementa o que a gente falou aqui):

1. NÃO SE DEIXE TENTAR POR TODAS AS TENDÊNCIAS. Com tanta gente espalhando 'pink é o novo preto', 'sandálias pesadas atualizam o look', 'costume jewelry é a nova bolsa' como se fosse vírus, é difícil ficar imune e não cair doente por todas as novidades da temporada. Poupe seus centavos e sua integridade. Não há nada mais deprê do que uma pessoa que só se sente cidadã se estiver coberta com a última moda. Sim, você tem que saber das notícias, mas consuma só o que cabe no seu orçamento e estilo. "Aprendi a duras penas a gastar bem só em uma peça de qualidade, ou de designer, que vai sobreviver a muitas mudanças de estação", diz a ex-vermelha 1. "Mas se você não resistir a uma modinha, vá de fast fashion."

2. CONTROLE O IMPULSO GASTADOR. Moda é movida à paixão e a desejo, claro. Mas a compra precisa ser menos coração e mais cabeça. Toda vez que você se apaixonar "irremediavalmente" por uma peça, anote a fofa numa shopping list. Só o fato de anotar o seu desejo vai fazer a temperatura baixar, dar uma sensação de segurança (como se a peça já fosse sua). Com uma lista inteira feita à base de muito taquicardia, é hora de meditar, respirar fundo e olhar para ela a sangue frio. O quêeeee??? Você anotou gladiadoras de cinco marcas diferentes? E a milésima skinny? Já pensou se tivesse comprado tudo. Ainda bem que nada é irremediável.

* gente, adendo: vitor angelo manda uma dica dus*****infernus nos comentários desse post. tem-que-ler.

3. FAÇA UMA SHOPPING LIST DE VERDADE. Uma coisa é a lista de contenção de impulsos e erosão da conta bancária. Outra é a lista de compras real, aquela que vai limitar seu gasto a peças necessárias, tendências merecedoras dos seus reai$, clássicos ainda inéditos no seu closet, 01 item caro e de qualidade (que vale literal e metaforicamente escrevendo, mais do que 25 equivalentes baratos e descartáveis).

4. REDEFINA TERRITÓRIO E TEMPORADA DE COMPRAS. Liquidações, bazares, saldões e pontas são OS lugares para comprar peças assinadas – desde que você siga à risca as regras 2 e 3.

5. INVISTA NAS PEÇAS-PODER. Todas vivemos de imagem, vamos admitir sem frescura/pudor. Por isso, é preciso investir bem (o que NÃO é sinônimo de quantia alta) em sapatos e bolsas. São eles é que gritam ruim/bom num look. Seja de crocodilo autorizado pelo Ibama à palha, é o acabamento (costuras, colagens, tramas, metal) que manda. Tem que ser bem feito e caprichado, no mínimo, e no máximo a qualidade obsessiva Hermès. Idem para os pisantes. Muito melhor um Converse perfeito do que uma sandália pesada de quinta.

domingo, 19 de outubro de 2008

FASHION GURU Alber Elbaz

Todo mundo tem um guru - ou vários - e nunca é demais adicionar alguém à lista. Alber Elbaz, da Lanvin, vem cada vez mais se provando uma das vozes a serem ouvidas nesse começo de 21.

Veja porquê.