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sábado, 23 de janeiro de 2010

SPFW, o fim

André Lima, inverno 2010

E, por fim, o fim. No backstage de André Lima, a equipe de costura (e Carlos, o homem que realiza os delírios de André) costura um sem-número de gigalaços num dos vestidos entrada final do desfile.

É um pouco como a moda pode jogar o mundo a seus pés, um pouco como pode fazer você se sentir Cinderela, e um pouco como dura pouco e é melhor aproveitar o agora.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

SPFW BOA IDEIA dia 5: écharpe contida, combinação de cores e três ps.

Neon, inverno 2010



Neon, inverno 2010

É de se amar, se você é dos pampas, essa ideia simples e prática de conter a revoada de écharpes no minuano.

As cores fazem total sentido num verão tropical.


ps 1. Esta fotinho (com pena a la Carolina Herrera inverno 2008) é uma das imagens no board colocado no backstage, com os looks do desfile posados (literalmente) pelas modelos. É um verdadeiro editorial de moda com roupa late 60s, o que prova que Dudu leva a vida como se fosse uma matéria de Diana Vreeland. É algo que todas podemos experimentar...

Neon, inverno 2010


ps 2. Então é que a moda pode ser um reflexo dos desejos mais íntimos de um estilista.

Neon, inverno 2010



Neon, inverno 2010


ps 3. O peixe pretinho é uma criação de André Perugia (1893-1977)...

Andre Perugia, 1938


... que apareceu em laranja e mais, versão salto mais grosso, na selva Neon.

Neon, inverno 2010

SPFW BOA IDEIA dia 4: não-anéis de Gloria Coelho

Gloria Coelho, inverno 2010



Gloria Coelho, inverno 2010

Primitivo e sci-fi ao mesmo tempo.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

SPFW BOA IDEIA dia 3: tulipa longa, paletó sem mangas, microperfecto, anel grifé, pulseira anêmona

Ronaldo Fraga, inverno 2010



Ronaldo Fraga, inverno 2010



Simone Nunes, inverno 2010



Simone Nunes, inverno 2010



Fabia Bercsek, inverno 2010

Ronaldo Fraga é assim um pouco como Rei Kawakubo. Há muito para olhar e para decifrar. No caso de Ronaldo, que vive bem além de pretos, não raro há coisa demais para se olhar e o santo, às vezes desnorteado, acha difícil e vai benzer outro terreiro. Se tiver um pouco mais de paciência, vai descobrir que sempre dá para contar com o estilista para formas antimodinha, daquelas que fogem à linha de produção das tendências e podem acrescentar ao closet uma interessância nova.

O jeito é imaginar a peça livre do excesso da passarela - o que nada mais é do que dizer imaginar como você vai usá-la na real. A tulipa longa vale com camiseta podrinha e a microperfecto (acima, uma excelente compra na Simone Nunes), por exemplo, para trabalhar. O paletó sem mangas é ótimo com míni ou jegging.

Na seara das bijoux, se você não pode mas sonha com a Panthère pode ficar com as garras da Simone Nunes. E, se não há Cartier nem Chanel, a pulseira anêmona, com correntes em movimento, fica entre a roqueira e a flapper.

SPFW BOA IDEIA dia 2: jaquetão Cary Grant, rabo de cavalo deslocado, frisé domado, macacão-smoking (2)

Maria Garcia, inverno 2010



Maria Bonita, inverno 2010



Forum Tufi Duek, inverno 2010



Cori, inverno 2010



Cori, inverno 2010

O que poderia vir depois do paletó masculino e das perfecto a não ser um jaquetão 50s? Todas nós podemos bem adicionar um pouco de Cary Grant à vida.

O fora de lugar, o híbrido, o assimétrico – e qualquer ideia equivalente – impera. Será por que algo está fora da ordem mundial, Caetanas? Pois que funciona, fica fresco para os olhos, fazer um rabinho bobo um pouco mais para a direita (se bem que eu prefiro um pouco mais à esquerda que, embora demodé, parece ainda mais humano). O frisé, que explodiu no inverno 2009, agora vem com a selvageria domada e de um jeito que qualquer mortal reproduz na calma do lar.

Macacão, tomara, pode virar item permanente das coleções e aparecer com variações sobre o mesmo tema. Quem não vê à luz do dia pode bem ver yvesaintlaurentnamente à noite, como se fora o novo smoking. A gravata borboleta desce à cintura.

SPFW BOA IDEIA dia 2: jogo de proporção para rejuvenecer peças-vovó, calças de palhinha e étnica, neobotas de motoqueiro, barra da anágua à mostra (1)

Reinaldo Lourenço, inverno 2010



Reinaldo Lourenço, inverno 2010



Maria Bonita, inverno 2010



Alexandre Herchcovitch, inverno 2010



Alexandre Herchcovitch, inverno 2010



Maria Garcia, inverno 2010



Maria Garcia, inverno 2010

Quando a vida exige que você mantenha a ordem e os bons costumes e seu espírito rebelde, bem, insiste em se rebelar, nada como adotar o figurino comme il faut, mas perturbá-lo de alguma forma. É o caso da ideia de Reinaldo Lourenço: desconcertar peças tidas como passé – ou difíceis –, mas de elegância incontestável.

1) longuete: que fazer com um comprimento que todos condenam por cortar a silhueta num lugar que deixa até as altas baixinhas, que traz algo de pudico e conservador costurado na bainha? Legging-bailarina faz o favor de tirar o ar senhorinha do vestido.

2) tailleur: fazer a dupla com saia micro já é feijão-com-arroz. O jeito é brincar com as proporções entre sapato e meia. Neste caso, botas de cano médio, também condenadas como inimigas da silhueta, e meias 7/8. Quem há de chamá-la de "senhora"?

Usar palhinha do décor tão típico dos 19 no Brasil não é novo (Furstenberg fez, Anya Hindmarch, a moça que detonou a obsessão das sacolas de compra, fez na coleção inspirada no Brasil. E Glorinha Paranaguá reina soberana). Mas o uso em calças de inverno parece mais do que apropriado para o Brasil do 21. Funcional.

Ah, sim, Antonio Bernardo emprestou as joias para o desfile da Maria Bonita, num casamento perfeito entre estéticas cariocas pós-hippie/pós-sensualidade barata - uma espécie de Rio depurado. Passarelas nacionais costumam ser muito pobres de joias e esta é uma ideia que merece entrar mais na pauta dos designers de ambos os lados. Cresce a roupa e a passarela se aproxima das mulheres reais não no jeito banal da ditadura das vendas - vulgo "moda comercial" que, na verdade, deveria ser chamada simplesmente de "roupa" - mas no sentido de fazer mais sentido para a vida (afinal, é para mudar comportamentos reais que a (boa) moda também existe, sim?). No verão americano, a Cartier emprestou várias peças para estilistas "emergentes", uma ideia em comemoração dos 100 anos de presença nos Estados Unidos.

Outra ideia libertadora para as calças é a estampa istambul. A ideia transforma uma peça que é essencialmente prática em decorativa. A vida, de fato, não precisa ser um tédio. Alexandre Herchcovitch oferece ainda uma nova bota motoqueiro, uma evolução da espécie oxford de bico redondinho que ele vem apresentando. Viva Darwin!

Por fim, uma quase bobagem (no sentido "ovo de Colombo" da palavra) direto da passarela da Maria Garcia (Camila Cutolo/ Clô Orozco): mostrar a barra da anágua rendada e, no caso do look bicolor, do chemisier sob minissaia.

domingo, 17 de janeiro de 2010

SPFW BOA IDEIA dia 1: longo de tricô e hot pants como saída de praia

Rosa Chá, inverno 2010



Osklen, inverno 2010


Cheguei nesse minutinho de microférias no Rio e, por menos afetadas que sejam as cariocas, elas que me perdoem, mais moda é fundamental. O vaievém de shorts baixinhos como saída de praia entre Ipanema 9.5 e Lagoa é tão repetitivo que chega a ser... Bem, vocês sabem o que acontecem quando algo se repete demais.

Em nome de uma boa chacoalhada de costumes, por que não hot pants no lugar dos shorts? (a peça vem sendo lançada na passarela há tempos e, como diz o ditado, hot pants em cabeças duras... na praia faz todo sentido). Todos estamos mais do que prontos para as novas garotas de Ipanema e sua imbatível capacidade de lançar novos jeitos de se balançar até a praia.

Do Reino Unido de Ipanema vem também o longo de tricô. Se um maxipull já equivale a tomar uma xícara de chocolate amrgo no inverno (miammiam), o que acontece quando você eleva a peça à máxima potência?