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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

TEST DRIVE moletom como alfaiataria

Helmut Lang, pré-verão 2010







Lang, pré-verão 2010



Lauren Santo Domingo, por Jak & Jil



Agnete Hegelung


Desde que a comfort fashion explodiu, nunca fui tão contente. Tudo nesta ideia luxo-preguiça me apetece: o mescla, as formas amplas e o delicioso e apimentado desafio a convenções burguesas.

Então, eu comprei uma calça sarouel de moletom (fino) da Le Lis Blanc.

(Num fim de semana de trabalho, encontrei Juju com o mesmo modelo - ela disse que foi a Le Lis depois de ler o post sobre a camiseta perfeita aqui - um passeio semifeliz porque nem tudo coube na altura estratosférica dela, um ponto que ela também deixou claro aqui.)


Também comprei um macacão de moletom mescla - já que o do Alexander Wang esgotou sem deixar rastro.

E um macacão cinza antracito de malha mais fina do João Pimenta, parecido que só com o modelo usado por Agnete Hegelung na foto acima, que eu achei semanas depois já não me lembro em que site.

Feliz e desencanada, eu tenho usado o moletom comme il faut. Inclusive em reuniões - já que a natureza do meu trabalho permite. Para quem não trabalha na indústria do entretenimento criativo, recomendo reservar para sair à noite com as amigas (sem intenção de paquerar, porque homens tendem a detestar. Sim, nem sempre a gente se veste para eles, mas um jeito de continuar sexy - e fashion - é usar sandálias altas de tiras finas no lugar as meia-patas ou ankle boots) ou para bater pernas na cidade.

O importante é não desencanar. Tem que subir no salto. A ideia é que o moletom apareça como uma escolha pensada, proposital, para garantir seu conforto ao longo do dia e da noite. Jamais deve parecer uma contingência da sua vida infeliz de chinelos e camisetas velhas oversized, comprend?

Além do salto, é legal usar bijoux e batom – ainda que os cabelos venham desgrenhados depois de uma boa noite de sono – e tecidos nobres feito seda. Tudo isso concerta o desconcerto causado pela ideia de descaso do moletom. Ufa!

Não é tão simples assim. O planeta não está ligado no movimento Wang-Lang (de Helmut) e não vai conceber tão fácil a ideia de você usar moletom em praça pública. É inevitável alguém achar que você está muitas champanhotas acima da dose permitida legalmente. Em Curitiba, minha terrinha, onde estive há pouco, detectei a expressão "onde é que ela está com a cabeça?" no rosto de muita gente.

Mas é fato: o moletom, cortado em pseudo-paletó e pseudo-calça de alfaiataria, é o novo terno. Trate-o como se fosse seu jeans fashion statement ou uma peça de couro. Respeite desrespeitando.

Com o tempo, os olhos alheios se acostumam. Mas você vai estar tão confortável que nem vai reparar no desconforto dos outros.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

TESTE DRIVE gladiadoras s&m, Renner


Gladiadora s&m de couro e madeira, Renner, R$ 109,90


Faz tempo que eu não faço um teste de comportamento de uma peça nova.

Ganhei esse par da Renner – e já deixo explícito para que ninguém levante falso testemunho.

Gabriela Cirne Lima, manda-chuva do estilo da rede fincada no Rio Grande do Sul, me pediu para usar e dizer todas as verdades sobre o sapato. Elas estão em busca do calço perfeito e querem retorno das editoras de moda sobre o novo produto – para fazê-lo melhor para a consumidora final.

Já usei esse par várias vezes e é hora de dividir o que eu achei.

Entrei várias vezes na filha da bênção dos bons olhos. Então, no momento que passei pelo expositor de sapatos durante a apresentação do verão Renner para jornalistas, eles foram fisgados pela gladiadora. Tem cara de coisa cara, como se diz por aí, o que muitas vezes (mas nem sempre) significa cara de coisa boa. Tive que experimentar ali mesmo para ver se era tão bom no pé quanto na sapateira.

O couro é bem macio, a curva do pé assenta bem na palmilha, as tiras efeito corselete estão coladas com todo capricho no corpo do sapato, a sola é escura e o salto fez o par subir no meu conceito: de madeira, bem esculpidinho, com jeito de quem vai durar muitas caminhadas pelos Jardins.

Usei pela primeira vez num aniversário fashionista. O povo reparou e queria saber de onde era. Eu testei "Givenchy". E colou! (depois desmenti, o que deixa tudo muito melhor).

Passou no teste das aparências.

No teste das calçadas, há apenas uma ressalva: não seja tão sado-maso apertando os cadarços tão justinhos como se fosse mesmo um corselete. Pode estrangular seus dedos. Na hora de comprar, veja como se comporta o número maior do que o seu. Pode ser o caso. De resto, enfrenta as calçadas com louvor, sem dar aquele cansaço habitual no fim do dia.

Enfim, eu já pincei sapatos na Renner, que vem cada vez mais entrando em sintonia com o planeta moda.

Essa gladiadora é um novo passo neste caminho modal. Ela faz parte de uma marca de sapatos da Renner, batizada de Satinato, que começa a ser vendida em agosto, quando o verão chegar às lojas.

"A ideia da marca é ser mais ágil na tradução da informação de moda", me explicou Tais Rissi, gerente de estilo dos novos sapatinhos. Em outras palavras, a Renner vai bater pernas pesquisando os desejos lá fora e vai produzir aqui, para chegar às prateleiras rapidinho, os pares dos sonhos.

Eles vão custar a partir de 39 reais. Meu conselho é ficar de olho no topo da pirâmide do custo: um pouco menos de 110 reais. Nessa primeira coleção, além das gladiadoras, tem umas plataformas meia-para 1970s com jeito de Chloé, beeeeem boas, e sandálias de tachas (se é do seu gosto).

A nova marca está de olho numa qualidade maior, daquelas que agrada os FFF: fashionistas fast fashion.

Zara que se cuide. Da nossa parte, a concorrência só melhora nosso closet.

terça-feira, 22 de julho de 2008

TEST DRIVE assandalhado Paula Ferber



Assandalhado de couro vacum lixado para ficar com efeito camurça, tela de fio sintético e salto carretel esculpido com duas madeiras de cores diferentes, Paula Ferber, 414 reais (na liquidação).

Ontem levei meus assandalhados da Paula Ferber para passear nos Jardins (tinha um compromisso com um fofa&querida e acabei encontrando vários fofos&queridos no Ritz). Foi minha primeira volta com o par da coleção de inverno da Paula, que eu comprei na liquidação por 414 reais (graças a Juliana Machi, que mandou a caixa aqui para casa para eu provar sem compromisso - fino tratamento para as clientes).

Buenos, o assandalhado - que tem esse ar Dietrich-encontra-KatharieHepburn - é ex-tre-ma-men-te confortável. Agüentou bem demais a minha descida pela rua Augusta, da Livraria Cultura do Conjunto Nacional até o restô com os melhores bolinhos de arroz do planeta (sem contar o da minha tia, claro!). O segredo está no salto carretel + plataforma-meia-pata embutida, que acrescenta bem-vindos centímetros sem sacrificar a curvatura dos pés.

Confesso que o solado - de madeira (chic de doer principalmente porque foge daquele courinho bege, gritante e nada criativo usado sempre, e com personalidade sem cair no impacto do fetiche-vermelho, assinatura de Louboutin) - não se deu muito bem com as pedras portuguesas da calçada da avenida Paulista. Muito escorregadio. Culpa das pedras. Já nas novas calçadas da prefeitura, mais ásperas, ele desliza com classe. Que troquem as calçadas (e deixem, aliás, todas uniformes)! Mas eu suspeito que o fator conforto torne esses assandalhados seu par constante, o que vai fazer a sola perder a lisura toda com o uso. Caso contrário, as meninas da loja mandam colocar um anti-derrapante.

Paula não tira os seus dos pés e já usou de vários jeitos: acha lindo com calça comprida, escondendo o salto, e de boca mais larga, que dá uma silhueta alongada, e com vestido ou minissaia; e acha possível usar com calça mais curta e mais justa, combinação que ela fez agorinha numa volta em Buenos Aires (com um modelo Raia de Goeye). "É um modelo versátil e, como é abotinado, deixa qualquer coisa mais moderna", diz Paula.

Paula Ferber. Rua Chillon, 276, tel. 11 3044 0321, e Shopping Cidade Jardim, tel. 3552 7180.