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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

sobre todas as coisas

Ufff!

Parece uma eternidade desde que eu passei a última vez por aqui.

A vida, então, era outra.

Eu tinha uma avó querida, a Maria Celeste, que a vida toda me chamou de Sissi.

Eu não tinha brincos de princesa despencando da janela da cozinha. Nem minigardênias exalando um cheirinho danado de bom da janela do meu banheiro. Nem lantanas na janela do outro banheiro. Nem um jasmim branco que, um dia, eu espero, seja gigante. (sim, eu virei uma jardineira fiel nesse intervalo)

Minha irmã do meio não tinha arrumado as malas para estudar em Londres. E minha amiga Consuelo não tinha blog.

Foi tanto tempo que eu até pensei que nem sabia mais escrever algo aqui. Tantas perdas - aparentemente nem tantos ganhos – que eu torci o nariz para falar de temporada (e daquela outra palavra que também começa com T e me causa calafrios). Porque menos e menos eu acredito em maria-vai-com-as-outras. Prefiro as marias-sem-vergonhas.

Eis que hoje eu sento para ver Stella McCartney, a quem eu sempre recorro em busca de uma esperança para o closet (o meu, aliás, vem encolhendo em proporções geométricas, para alegria das amigas. Daqui a pouco, eu penso, não poderei sair de casa a não ser para dois tipos de compromisso: ioga ou festa-baile. Todas as gamas de compromissos cinza entre a ponta branca e a ponta preta estão desfalcadas.)

Quando Phoebe Philo (gêmea estética de Stella, aliás) fez as camisetas de couro para a coleção do tipo "bingo!" da Céline, eu desabafei dizendo que queria uma versão denim, mais prática, leve e pertinente para a temperatura daqui e do agora.

Stella entrega a peça no verão 2011.



É um sentimento esquisito (para os outros, imagino) enxergar que a vida se renova numa camiseta denim. Mas se há um sentido maior e um sentimento mais atávico para o meu gostar de moda ele é o cruzar de dedos que a vida pode melhorar e ficar mais bonita logo mais.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Verão 2011 André Lima

André Lima e eu nos encontramos no Casa Moda, salão que reúne estilistas para vender coleções a multimarcas.

Salões como esse são cada vez mais termômetro do gosto vigente e mostram quão disparatada pode ser a criação da compra pautada pelo suposto desejo do consumidor final. Triste, mas verdadeiro, pode ser a morte cotidiana do que Diana Vreeland sempre dizia que era o papel da revista de moda - e, aqui, por extensão, do bom estilista: oferecemos aquilo que nem sequer sabiam que iriam desejar. É o que faz o mundo ir para frente.

Enfim, é conversa para outro post.

Aqui, André conta como surge uma estampa e mostras duas feitas para o verão 2011, que ele desfila no 14jun no SPFW. Comop sempre, é o desfile-baile de encerramento da temporada, nossa chance de nos confrontarmos com a alma kitsch e elevá-la a outro (melhor e mais divertido) patamar.

Preto no altar? Qual o novo longo? E o que é melhor: errar ousando X acertar segura?

São coisas que ele responde aqui - além de dizer, claro, qual sua lambada favorita.