sexta-feira, 14 de novembro de 2008

MÁXIMA DO DIA por Bill Cunningham

"Tous les jours ils changent, tous les jours c'est la même chose."

Algo como "eles sempre mudam e sempre é igual...", sobre moda de outono nas ruas de Paris 2008, igual a da primeira viagem dele à capital da moda, em 1947.

Parece o slogan da Hermès: "tudo muda, nada muda".

É o resumo da moda da última década.

ps. Bill é o fotógrafo do On the Street do NYT.

ROUPAS DO OFÍCIO sexta de camisa + saia-lápis


Loewe, spring 2009

Camisa, saia-lápis, sandália, maxicolar de bolas... fui!

(o bacana é a proporção entre a saia de cintura alta e o colar longo: um deixa o tronco mais curto, o outro trata de dar a ilusão de alongá-lo. bom equilíbrio)

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

ROUPAS DO OFÍCIO quinta de trench, bege & cinza


Burberry, spring 2009

Quem melhor do que a very british Burberry para entender das roupas certas para dias cinzas e 'ensopantes' de primavera/verão?

PEQUENO DICIONÁRIO ILUSTRADO DE MODA gurkha

Já que falamos de dhoti X sarouel X harem = calça folgada com cavalo baixo, aqui vai o post do NYT sobre gurkha pants!

(ele escreveu com o H entre o G e o U, mas é entre o K e o A)

Novas formas de calça estão no ar - é bom para desafiar a ditadura da alfaiataria. Democracia de shapes!!!!

November 11th, 2008 12:01 PM
Feeling For … Ghurka Pants
By Bruce Pask


Ghurka pants, cooler than khakis — the high waist and buckles of traditional Ghurka wear. (Fox Photos/Getty Images)

Bruce Pask, T Magazine’s men’s fashion director, writes on style every two weeks.

It’s not some obscure fashion-speak term — and I’m not going to get into a history lesson, because I’m sure we could go on. Basically, Ghurka pants (and shorts) were a staple in British colonial men’s wardrobes abroad, especially in North Africa and India. Usually made of substantial cotton khaki twill, these pants featured a higher waistband with side buckles for two tabs; one slipped inside the other to fasten. Early Banana Republic catalogs (from the era when the stores were decorated with Jeeps and trees and the brand was more about urban safari outfits than pre-career and casual wardrobes) featured Ghurkas as a basic. Now, they are back. At Pitti Uomo, the Japanese-designed line Haversack had them, making a boring khaki trouser look really interesting and, shockingly, even fashion-y. Color me khaki, but I’m feeling for a Ghurka pant!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

ROUPAS DO OFÍCIO quarta de terno a 30s


Vivienne Westwood Red label, spring 2009

A calça marinheiro não morre. A camisa estampada deixa tudo ainda menos sério. É possível que você tenha que, em São Paulo, trocar as sandálias por um sapato fechado. Que seja à moda masculina também, rateiro ou alto.

Continue com o trench de ontem - a previsão diz que você vai precisar dele até o fim de semana.

ROUPAS DO OFÍCIO terça de trench e saia-lápis


Boy by Band of Outsiders, spring 2009

Chove, mas não é frio. Dá para deixar as pernas de fora e se proteger com um trench impermeável. Escarpins e saia justa à moda Léger/Alaïa/Montana/Mugler dão o perfume (não é de matar, Isabella?) 80s.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

PEQUENO DICIONÁRIO ILUSTRADO DE MODA sarouel, dhoti, harem?

Qual é a diferença entre as calças Sarouel e Dhoti? No “Dicionário da Moda”, do Marco Sabino, diz que a primeira é comum aos países do Norte da África enquanto a segunda é um tradicional traje indiano. Mas acontece que, ao pesquisar imagens delas na internet, percebi que a modelagem de ambas é muito parecida. Existe alguma diferença fundamental para distingui-las ou as pessoas usam o nome de uma para denominar a outra – criando, assim, uma grande confusão fashion?
Obrigado desde já,
João


João, querido,

Sabia que mais cedo ou mais tarde uma boa alma ia trazer isso à tona.

Eis o que se passa na nossa santa ignorância/arrogância ocidental: tudo o que é étnico é um pacotão fashion só.

Ou seja: qualquer calça folgada, mais larga em cima, com o cavalo lá embaixo e tornozelos naturalmente mais estreitos, vira dhoti, sarouel ou, agora modinha, harem (o espírito é 'ah, harém, lá das odaliscas que vivem naquele canto de lá do mundo, distante...')

Então, as calças da Osklen & cia podem ser chamadas de dhoti, sarouel, harém - a gosto do freguês.

Mas, sim, elas são diferentes na origem e na modelagem.

Falei sobre a dhoti no Pequeno Dicionário Ilustrado. Mas é indiana, sim, tradicional dos hindus - homens. E basicamente trata-se de um pano enrolado com maestria no corpo - a ponto de ficar segura e ter até 'bolsos' sem ter nenhuma costura. É lindo isso porque mostra total domínio do tecido. Num certo sentido, é o que a gente chama de moulage. Dizem as minhas queridas clientes do Dener que ele não raro pegava um corte de musselina (ai, ai, o português!) e enrolava um vestido no corpo de uma delas - aquelas que, como a Adri, precisavam solucionar a roupa de festa-baile em cinco minutos e sair do ateliê direto para o salão da alta. Sem costuras, querido, só as dobraduras (e não é que parece grego?) e o caimento do tecido.

Lu-xo, Dener diria.

A sarouel - na original, saroual loubia - vem do armário dos homens mzabi, a maior fatia das oito tribos representantes do grupo étnico Bérbere (os tuaregues também são Bérberes, por exemplo).

Os mzabi moram em oásis no norte do Saara, na Algéria - portanto norte da África, como diz o Sabino - desde o século 9. São muçulmanos ultra-rígidos: as mulheres vivem cobertas e jamais deixam o oásis. Mas também são conhecidos pelo sistema de irrigação, que permite que tenham água e jardins luxuriantes em pleno deserto (os mzabi construíram cinco cidades, conhecidas como Pentapoli, na encosta do Uadi Mzab, rio que corre apenas uma vez a cada doze anos), pela arquitetura, que chamou atenção de Le Corbusier, viajante na região em 1931, pela joalheria e cerâmica.

Bom, feita essa viagenzita, vale dizer que a Algéria foi ocupada pelos franceses no século 19 e a região dos mzabi só voltou a pertencer à Algéria em 1962.

Achei essa imagem no site do professor Richard Wall, mestre em Relações Internacionais pelo London School of Economics & Political Science. Pena que ele não credita o autor, mas o que se vê é o legionário francês, de calças vermelhas, e o soldado mzabi, de uniforme de exército, com calça sarouel.

Olha só a diferença de proporção entre o casaco + calça franceses e o bolero + sarouel saarianos.



Circa 1840

Gosto dessa imagem porque ela não fala para mim da colaboração entre norte-africanos e franceses, mas sim da troca de (in)civilizações. Imagino nesse momento o francês absorvendo visualmente e depois incorporando as calças folgadas ao repertório. "Mon amie mzabi, c'est un beau pantalon!"

Não é coincidência que Pierre Leroux (17abr1797 - 11abr1871), filósofo, economista, socialista e fundador de jornais e enciclopédias tenha registrado, em 1839, a palavra sérouâl = pantalon bouffant en Afrique du Nort num dos oito volumes da Encyclopédie Nouvelle.

Os mzabi passaram para os franceses e os franceses, como bons ditadores da moda, espalharam o vocabulário pelo mundo (você sabe, YSL nasceu na Algéria, em 1936, e três décadas depois as mulheres estavam enlouquecidas por um saharienne).

Sarouel, saroual virou sinônimo de qualquer pantalon bouffant.

ps. mandei um email, mas vou ligar para a Embaixada da Algéria para confirmar se a sarouel é cortada & costurada. Mas pelo que eu já vi de imagens da peça desfeita, ela é sim - o que seria a diferença entre dhoti e sarouel originais.

domingo, 9 de novembro de 2008

ROUPAS DO OFÍCIO segunda de vestido e cardi


Jason Wu, resort 2009

Cores mudas, estampa séria, sandália atualizadora do look e um cardigã se o frio bater. Se o vento de agora continuar amanhã, basta acrescentar meias opacas.

sábado, 8 de novembro de 2008

COMO SAIR ÀS RUAS COM ESTILO dilema do esmalte + jantar entre desconhecidos

Querida, adorei o esmalte preto no pé, mas gostaria de saber a sua opinião sobre esmalte da mesma cor nos pés e nas mãos?

E, mais, podemos fazer mais perguntas do tipo, que roupa usar no sábado? Vou a um jantar de pessoas que nem imagino quem sejam. Devo ir dentro de um pretinho de renda, discreto e honesto ou envergar um 1/2 turbante ou lenços ou faixas na cabeça?

beijo

Ah, saiba que tenho entrado aqui todo dia. Adoro


Adriana, estou te devendo essa, não?

(pode, sim fazer todas as perguntas (publicáveis) que quiser!)

O seu jantar já deve ter fica no passado remoto a essa altura... Mas, enfim, nunca é tarde para uma sabedoria fashion.

É fogo ir a um lugar onde não se conhece ninguém porque não se sabe o que esperar da platéia... Eu diria que um tubinho rendado (honesto e discreto é o mínimo que todo mundo deve ser. A renda aqui é o que salva, que deixa tudo mais especial, menos nulidade na multidão, não?), cabelo preso e sandálias de salto médio dão uma aula de diplomacia em território desconhecido. É mais bacana do que ser território neutro, com uma roupa blá: você não abre mão da sua personalidade (considerando que você sugeriu o vestido rendado porque combina com ela) mas não passa em branco e também não choca ninguém!

Dito isso, acho bacana você ter alfinetado com o turbante e a faixa no cabelo. Eu acho turbante lindo, mas ainda não encontrei ninguém que conseguisse usá-lo com a cabeça naturalmente erguida com que as mulheres dos anos 1910/40s portavam o seu, fosse com terno diurno (ah, Katharine Hepburn...) ou com pijamas de seda noturnos (bem Denise Poiret para festas). Se você consegue sem parecer uma reedição do passado ou uma Prada fashion victim, Prêmio Moda Brasil para você! (olha a Catherine Deneuve na foto do ex-marido, david Bailey, mais abaixo).

Faixas são mais administráveis e aceitáveis nos anos 2000. Aí depende mais da produção e do tecido. Um lenço de cetim de seda terminado com um laço mega na nuca pode ser o único acessório do look, por que não? Só acho que tem que tomar cuidado para não passar a idéia de que você colocou a faixa com o mesmo espírito de quem está na praia e precisa domar/esconder as madeixas vítimas da maresia.

Ah, e sobre os esmaltes. Adoro cores de personalidade usadas em par, combinadinhas. Outro dia estive com a Natalie Klein e ela estava com preto nos pés e nas mãos. Idem para Isabella Giobbi, que vive combinadinha de pink ou tomate. Ladies, mas modernas - muito diferente de usar misturinha nos pés e nas mãos, não?

Mas a escolha do esmalte deve ser pensada como parte do figurino. Um vestido completamente neutro (cinza, bege, verde água) ganha vida se você passar esmalte coral nas mãos e roxo nos pés (!!! assustou? fica lindoooo de morrer...). Mas todo o resto vai ter que passar despercebido (sandálias de couro natural ou marrom), bolsa idem. Vai mais da intimidade que se tem com cores e a vontade de (des)combiná-las.

beijos,
Sissi

COM QUE ROUPA comemoro o desaniversário de uma amiga?


Michael Kors, resort 2009

Hoje o dia está cinza desbotado e não dá para entrar nesse mal-humor. Antídoto para festinha de desaniversário: pink, aqui moderninho na versão mix de estampas (em tecidos finos).

O toque de dourado nas bijoux deixa tudo com um quê glamour 60s.

Uma pesquisa diz que pink é a cor mais vendida nos Estados Unidos. Gostaria de saber qual a cor mais comprada pelos brasileiros.

O que você acha?

MÁXIMA DO DIA por David Bailey


Catherine Deneuve, 1968

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

ROUPAS DO OFÍCIO quarta de jeans branco


Derek Lam, resort 2009

(esses looks sessentinha funcionam para o trabalho, não?)

Os coloridos passaram, agora os rasgados. Por isso o branco parece tão fresh. Go for it, de casaqueto, camisa azul clara (Oxford) e feliz.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

MÁXIMA DO DIA Maison Martin Margiela

20 anos incognito, 20 anos respondendo como time. O melhor site de moda do planeta - mais visão redonda de design, impossível. Uma recém-lançada e linda coleção de jóias.

Para desgosto da minha amiga LouLou, minha peça máxima de desejo é o paletó com ombros triangulares, o máximo da alfaiataria.

Muitos máximos para um post só. Não é à toa que o estilista sem rosto é o máximo para gente como Marc Jacobs & the gang.

"Never take anything for granted. Question all that is established."

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

ROUPAS DO OFÍCIO terça de tailleur


Cynthia Rowley, resort 2009

Com esse tempinho indefinido, um duas-peças não tropeça. É boa a versão estampada - duvido que se ache por aqui, mas é bom de olhar. Deixa o tailleur mais espirituoso, menos sisudo. De resto, boas pernas e sandálias, camiseta.

NA DÚVIDA zen ou bling?


Sofia Coppola, cineasta e agora autora de uma bolsa para LV


Carlyne Cerf de Dudzeele, ex-ELLE América

LONGA VIDA trench curto


Derek Lam, resort 2009

Trench coat, criação da Burberry no fim do século 19 e usado como impermeável nas trincheiras na Primeira Guerra, entrou para a lista de clássicos do closet.

O que ninguém fala é de proporções. A versão curtinha, mais assentada no corpo, é eterna, feminina e eficiente. E dá mais a impressão de 'bem acabada' e fina. Melhor que o comprimento fique sempre acima dos joelhos.

domingo, 2 de novembro de 2008

A TEORIA da compra sustentável +

receita de beleza na prática no fim deste post!


O texto do NYT sobre esse novo termo da moda conclui que recessionista – o fashionista em tempos de recessão – nada mais é do que uma desculpa para comprar mais do mais barato.

Não sei vocês, mas o ar dos tempos me pegou de outro jeito. Não tenho vontade de comprar baratinho pra comprar mais.

Tenho andado mais depressionista num certo sentido.

Não tenho vontade de ir às compras. É mais assim: não tenho vontade de gastar em algo que daqui a três meses ficará datado com o prefall 2010. Tenho vontade de arrematar uma sandália meia-pata Biba verão 2009 só porque ela é exatamente igual a uma desenhada pelo YSL original, 1970s - época em que ele reeditou os 1940s... Tenho vontade de achar a camiseta branca perfeita, o cashmere cinza mescla ideal...

E vontade de enxugar, enxugar, enxugar meu guarda-roupa a ponto de ele ficar mais sequinho do que Jean Shrimpton!


Jean Shrimpton por David Bailey, NY, 1962: charme e frescor com clássicos à prova do tempo (NY JS DB 62, da admirável editora, a Steidl)


Sexta, numa conversa com minha amiga Même, ela também se mostrou desanimada com o megasupérfluo. Não quer mais ser uma pessoa cheia de bolsas e sapatos - e só.

E no dia anterior, numa conversa ótima sobre o mercado com uma empresária de moda da nova geração, ela me disse que trabalhar com moda cansa o olhar - a gente acha tudo velho antes de a temporada se concretizar. Perguntava sobre as idéias mais bacanas do verão que ela iria adotar e ela suspirou 'o verão já era, já estou no inverno'. Estava de vestidinho preto, sandália rasteira com YSL de couro destacado no peito do pé, jaqueta perfecto, maxibolsa de couro. Brinquei que toda vez que a gente se encontrava ela estava de cor neutra, tudo muito básico, sem sobreposição, sem mistério (no bom sentido), tudo muito tranqüilinho e isso só acentuava meu lado (rocco) barroooooco. Mas ela tem coisas antiquésimas no armário, um armário que facilmente poderia engordar, engordar, engordar.

Rita, a estilista, desbafou no telefone comigo que está deprê com esse consumismo todo - parece uma praga de gafanhotos famintos só que soltos nas araras das lojas. Última das românticas, artistinha de alma e de família, ela não vê mais sentido em gastar viscoelastano para fazer MAIS UMA camiseta. Acha que a moda morreu - o que vai substituir a frase de Max Ernst ("Art is dead. Long live fashion") se fashion is dead? Long live marketing?!?

Ela quer reciclar tudo. Eu também - principalmente o jeito de usar as coisas que já temos. No Prêmio Moda, uma das mais bem vestidas era minha amiga joalheira, de saia-lápis e outra saia usada como top tomara-que-caia. Gloria Kalil usou um Lita Mortari antigo. Todo mundo atualiza, claro: Gloria escolheu sandálias pesadas Sergio Rossi, por exemplo.

Something old, something new - e esse novo bem escolhido, bem especial.

E assim caminha a humanidade.

Mas, se você ainda está com a coceirinha gastadora, leia The Thrift Book: Live Well and Spend Less, India Knight (Fig Tree) para usar o cartão de crédito com sabedoria.

India é uma autora de best-sellers em Londres - um deles sobre shopping, já que, como ela mesmo diz como boa filha dos consumistas anos 1980, não sente a menor culpa de ter um zilhão de bolsas. Eu me identifico com o que ela escreveu para o Sunday Times hoje: "It’s not that I can’t earn money, or that I don’t earn enough of it. It’s a complete inability to manage money, full stop — and, to be frank, an inborn lack of interest in doing so. I think I subconsciously saw my financial idiocy as a sign of a rather charmingly bohemian easy-come, easy-go approach to life in general. I know: it’s pathetic."

Ela entendeu que nada mudaria a não ser que ela mudasse o jeito de se relacionar com dinheiro - o que muita gente vai ter de fazer, querendo ou não, mais cedo do que tarde (não é Même?). Aos poucos, depois de virar ecoconsciente, sentiu um certo "nojo" de gastar simplesmente pelo fato de querer algo naquele minuto, fácil assim, vulgo compra por impulso.

Por fim, ela conclui exatamente o que a Rita concluiu no seu apezinho agora nos Jardins: eu vou fazer a minha parte, ainda que seja pequenininha. Parece pouco, mas a Rita está fazendo a parte dela aqui em SP (aguarde post com convite para a próxima idéia da moça), a India em Londres e de ponto em ponto se costura algo, não?

India descobriu a 'compra sustentável'. E dá as dicas, no artigo para o Sunday Times, de como viver bem e com estilo "valuing beauty, in saving money in unexpectedly satisfying ways and in feeling like a useful member of the human race at the same time as enhancing your life in dozens of little but significantly pleasing ways."

Ela recomenda:
* FAÇA COMPRAS ESPERTAS NO SUPERMERCADO: escolha produtos locais, faça compras diárias e leve apenas o necessário para o consumo imediato. Eu acho uma delícia fazer compras diárias, descobrir o que está mais fresco e pautar seu cardápio assim (que é exatamente o que os mestre-cucas fazem). Mas se você detesta mercado ou tem problemas em cuidar do lar (oh-la-la!) o jeito é comprar online para não cair na tentação da bobagem. E é bom também comprar seus produtos favoritos em mercados que não injetam no preço do produto luxos associados à experiência da compra (deixe a experiência da compra ser um item quando você for comprar seu eterno Louboutin, entende?).

* ALIMENTE SUA FAMÍLIA: com receitas caseiras, simples, feitas com produtos frescos. Girrrrls, se vocês assistem Jamie Oliver sabem que há um movimento aí - como diz a Rita, o luxo do futuro é esse tempo para fazer coisas gostosas, com produtos naturais, usar seu iMac no meio de um jardim florido e por aí vai... Bom, no caso das receitas, India diz que se você faz listas de compra semanais, consegue fazer uma refeição para servir, outra para congelar, duas usando sobras e mais e mais... Planejar e usar tudo de maneira inteligente é o lance.

* RECEBA DESPRETENSIOSAMENTE: comidinha daquelas que todo mundo ama, vinho, água - o principal é boa companhia. Não é preciso armar um jantar com ingredientes caros - se você está tentando impressionar os amigos, diz India, talvez seja hora de trocar os amigos.

* PENSE ANTES DE COMPRAR O PRÓXIMO LOOK: Uma etiqueta com poucos números pode ser tentadora, mas se você respirar dois segundos, se pergunte: como é possível algo custar tão pouco? Quanto deve ganhar a pobre alma que fez essa peça? Em que condições ela trabalha? Quando Ronaldo Fraga fez a coleção da China, visitou fábricas de roupas e viu uma linha de produção em que as mulheres ficavam sentadas em penicos - para evitar que tempo de trabalho fosse desperdiçado com uma ida ao banheiro (para mais histórias 'otimistas' sobre a China, leia Deluxe, de Dana Thomas). Não é preciso ir tão longe: como trabalham os bolivianos (ilegais) nas confecções de coreanos no Bom Retiro? Talvez em breve os fabricantes de roupas sejam obrigados a colocar uma etiqueta com informações sobre a peça, algo equivalente ao "nutrition facts" que os fabricantes de comida colocam em suas embalagens. Talvez eles tenham que dizer coisas como faz a indústria da beleza "não testado em animais": "nenhuma mão-de-obra infantil foi utilizada na fabricação desse tênis" e por aí afora...


* BELEZA ROUBADA: essa é de total responsa de India (eu não testei nem perguntei a minha dermato). Máscara de aspirina, uma receita que ela encontrou no makeupalley.com, um site de "street smart beauty"(!). Segundo ela, aspirina contém ácido salicílico (beta-hidroxiácido), componente principal de esfoliantes e cremes carérrimos. Receitinha: esmague seis aspirinas com uma olher. Misture com água para fazer uma pasta e aplique a mistura no rosto. Deixe agir por 10 minutos. Enxágüe, massageando. Use uma vez por semana - duas em caso de emergência.


Portrait (Miss N.) de Gertrude Kasebier (1852-1934): e se a pele ficar linda assim depois de tentar a máscara caseira de aspirina?

LONGA VIDA vestido 60s com estampa geo


Derek Lam, resort 2009

Talvez você tenha herdado da sua mãe, talvez você encontre num bom brechó, talvez você vasculhe as araras dos estilistas que adoram os certinhos anos 1960s. Fato é que se colocar o corpinho sob um vestido como esse, de Derek Lam, nunca mais vai abrir mão da peça.

A estampa geométrica é a ideal para usar no trabalho - diferentemente das flores, decora sem passar imagem de fragilidade. E mais: é simpátic a todos os tipos de corpo. E o comprimento favorece todas as pernocas. Até as desfavorecidas.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

INSTANT GLAM + MARGADIRICES DAS MARGARIDINHAS colar de bolas


Adam, resort 2009

Versão mega, colorida e divertida do colar de pérolas. Use o colar de bolas para iluminar seu rosto sobre uma blusa que não vai tão bem com seu tom de pele. Muda tudo!

Mais: Mika Franco me telefonou para dizer que encontrou colares longos de bola na C&A: preto, coral, branco. 20 reais. Dá para usar à moda melindrosa ou dar duas voltas e dobrar o efeito instant glam.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

ROUPAS DO OFÍCIO saia + suéter


Jenny Kayne, resort 2009

Feminino, comportado e 2008 graças às sandáilias pesadas. Ou você pode optar pelos escarpins pretos para um look tradição. Ou por sapatilhas.

Só preserve o "volume" baixo das cores neutras. Elas garantem o "estou aqui a trabalho".

A SEMANA COM Luiza Barcelos - dia 7

Depois que a segunda filhota nasceu, Luiza Barcelos enxugou 21 quilos (!) e recuperou alguns prazeresinhos do closet. A saber: voltou a usar calça jeans - "morria de saudades"- e comprou shorts e vestidos curtos, que "ousei ao usar com botas". "A saia-lápis com blusa por dentro é outra novidade que surgiu com o corpinho novo", diz Luiza.



Belo Horizonte, 14h
Luiza Barcelos, designer de marca de sapatos homônima


Usa: Calça de alfaiataria? Lita Mortari. Camisa? Mixed. Colete? Maria Bonita. Sapato e bolsa? Luiza Barcelos.

Qual a melhor idéia do look? O contraponto masculino/feminino ao combinar camisa com laço e manga bufante, colete e sapato tradicional.

A TEORIA moda é cultura?

Ontem à noite eu fui bem acompanhada ao 4. Prêmio Bravo! Prime de Cultura, na Sala São Paulo.

Antes que alguém me acuse de falar bem por interesses privados, já deixo claro que duas pessoas-chave desse prêmio são amigos de família. E duas pessoas para quem eu tiraria um zilhão de Borsalinos.

Enquanto me arrumava, cogitei levar minha máquina fotográfica para registrar cenas de 'moda na real' para este blog (desisti no último minuto porque, bom, eu fui mesmo a passeio).

Mais do que saber o que (marcas) vestiam convidados, gostaria de saber que critério, que motivo levou fulano & beltrana a escolher aquele look. Uma investigação sobre o gosto, como diz Arrigo Barnabé no Supertônica, programa da Rádio Cultura.

Você se veste para que - e para quem? Como escolheu juntar essa peça àquela? E essa cor a outra? Essa proporção assim e não assado?

São escolhas estéticas - parte inconsciente, parte inconsistente (sem razão explítica de ser), parte conveniente, parte cultural. Por cultural, entenda-se aqui o que é aceito ou conveniente para uma situação, um compromisso, um ambiente.

De que maneira essa escolha se diferencia, por exemplo, das cores que Beatriz Milhazes, uma das finalistas ao troféu Exclamação (o ponto do título dá forma ao Oscar da cultura nacional) de 2008, escolhe para uma tela?

O convite não trazia indicação de traje. O que você usaria, por exemplo?

(...)

Eu vi várias mulheres de pretinhos básicos (mesmo! sem nada na modelagem ou no tecido. e com bijoux como enfeite) na altura do joelho, muitos combinados com escarpins pretos de bico fino.

Vi algumas de calça com tops bordados e xale. E terno preto. Todos acompanhados de carteiras.

Alguns longos floridos - um com geo à moda Pucci e sandália de salto forrada com o mesmo tecido.

Do ponto de vista do dress code - mesmo não declarado - é tudo bem correto (estou falando de regras, não de gosto). quanto mais bem cortado, aliás, mais bonito de se ver.

Com raríssimas exceções, ...

1. pretinho nada básico, na altura dos joelhos, de jérsei drapeado à moda grega e usado com peep toe baixinho;
2. um caftã pink de tafetá de algodão;
3. um longo florido nouveau na barra;
4. uma minitúnica de cetim de seda de cores apagadas;
5. o macacão drapeado de um ombro só de Nina Becker, que cantou neobossa entre a entrega de estatuetas "!";
6. a lantejoula Ronaldo Fraga de Fernanda Takai,
7. os sapatos desencontrados de Mallu Magalhães,

... não havia moda nos salões da Sala São Paulo.


Nina Becker na Sala São Paulo

Assim como não havia moda no palco da Sala São Paulo.

Nenhuma exposição indicada, nenhum estilista concorrendo à artista do ano, nenhum livro...

E, olhando ao meu redor, como seria diferente?

Moda é moda. Não é arte - para gente como Martin Margiela, 20 anos de maison nesse ano, é artesanato. Sem crise, sem metafísica, sem juízo de valor.

Arte deforma, reforma, forma. Moda conforma.

Conforma no sentido de dar ou tomar forma, colocar na fôrma.

Siginifica que moda fala do nosso tempo, desenha a cara do hoje.

Ninguém vai falar de um estilista como quem fala de Picasso, em exposição agora no Grand Palais: "à frente do seu tempo".

Chanel funcionou porque sacou a necessidade do seu tempo. Idem YSL. Não que eles não tenham enfrentado o desconforto de quem propõe algo novo. Já contei aqui que a socialite Nam Kempner foi barrada em um restaurante fino porque estava de terno YSL. Mulheres só eram aceitas vestidas de saia - meos deoses, nos anos 1970, ontem mesmo! YSL estava à frente do seu tempo? Não - o mundo é que estava apegado ao passado.

Stefano Pilati, da YSL, diz que aprendeu logo cedo na profissão que "estar à frente do seu tempo é como ficar para atrás". "O mais importante é estar no próprio tempo, on time", diz.

Talvez daí venha a idéia de que moda é algo menor, efêmero - quando eu penso já me dá uma preguiça, blá.

Talvez por isso tenha gente que ainda insista em ir a um prêmio com calça jeans, camiseta, Converse.

(Vivienne Westwood me disse numa entrevista que não tem peça mais convencional do que o jeans, tem alguém ouvindo?).

É coisa de artista desprezar convenções sociais? Duvi d-o do!

Sempre penso na mudança de figurino de Caetano, outro indicado da noite: da Tropicália ao Romeo Gigli. Talvez nenhum artista, como diz minha mãe, tenha entendido tanto do poder do figurino como ele.

Extrapolar não é muito mais bacana? Quebrar expectativas? Por que tudo tem que ser igual, o mesmo - como se pergunta Zaha Hadid na hora de desenhar seja um prédio ou uma bolsa Vuitton?

Para desafiar, tem que conhecer as regras do jogo.

Por que não um vestido preto de jérsei de lingerie no lugar de um saia e blusa de tricô Fair Isle, deve ter se perguntado Chanel? Por que não calças para mulheres no lugar de tailleurs, idem YSL? Por que não um macacão preto de um ombro só no lugar de um pretinho básico, Nina Becker?

Por que não?

Conhecer é saber. Saber é cultura. Tem que ter cultura de moda. Outro dia José Nunes, um dos costureiros brasileiros ainda em atividade, me disse - sem nostalgia, sem preconceito - "como é que a gente vai querer que uma pessoa se vista direito se ela nem sabe segurar um copo?".

É tudo civilização.

Não é uma idéia fácil de engolir. Xiitas mundo afora estrilam toda vez que um museu cede espaço para uma expo de moda.

Mas por que não?

Na Faap até 14 de dezembro, vestidos históricos feitos em papel no tamanho natural pela artista belga Isabelle de Borchgrave são uma aula de história. Isabelle corta o papel como se fosse tecido, pinta para estampá-los e "costura" modelos espalhados em acervos de museus. Algumas peças exigem mais do que conhecimento técnico, mas de época. É o caso de peças tiradas de quadros - só com a frente à vista. É preciso conhecimento para reconstruir o verso, coisa que cabe à figurinista canadense Rita Brown.

É moda, arte, artesanato? Essa resposta é mais relevante do que o trabalho em si? Não acho.

Quando moda deixar de ser confete acho que dá para imaginar um prêmio Bravo! com mais moda nos salões e no palco da Sala São Paulo. A paisagem, se não ficar mais bonita, vai ser no mínimo menos conformista.

ps. me esqueci de dizer que amanhã tem prêmio de moda no Theatro Municipal. Dress code? Passeio completo - aquele vasta definição entre algo que você não usaria para um jantar caprichado nem para uma festa-baile. Vai ser um espetáculo...

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

ROUPAS DO OFÍCIO pantalona + camisa + cardigã


Jason Wu, resort 2009

O que você faz quando o dia começa a 10C, sobe para 25C e termina em 5C?

Gente com passaporte carimbado (!) em Curitiba pratica o efeito cebola. O que é um jeito mais gozado/simplório/claro de dizer sobreposição: uma peça por cima da outra, que você descasca à medida em que a temp sobe. E "recasca" se a temp desce.

Então, considerando que o termômetro despencou tanto quanto a bolsa nesse fim de dia, minha sugestão para amanhã é essa, de Jason Wu.

(se vc já comprou a pantalona de veludo cotelê, go for it)

Como diria Sued, "à demain que eu vou em frente".

Recessionista, depressionista & taxista

Note como a repórter (do texto abaixo) volta no tempo - à grande depressão e à recessão do fim de 1980s (não à toa vista como a década que encerra, de fato, o século 20).

Só um comentário extra: muitas marcas internacionais estão vindo para o Brasil.

Não somos grande coisa em termos de mercado. Ainda.

Mas o país está mais rico.

Como disse uma dona de franquia de marca importada para mim, num tricô over champanhe, "tem muita secretária agora que pode comprar a bolsa mais barata da Vuitton parcelando o preço. 400 reais de parcela cabe no bugdet dela".

Muita gente pode consumir marcas de luxo com esse luxo que é pagar a conta gotas.

Não pense que é hábito de quem tem pouca grana. Gente abonada compra carro de 200 mil+ em parcelas porque vale mais a pena aplicar a grana lá fora. (ou valia)

Enfim, como eu disse para meu amigo João hoje, nem o mundo - nem a moda - começaram ontem.

Em 1947, quando o presidente Eurico Gaspar Dutra voltou atrás na política liberal de abrir o mercado brasileiro para importados - em outras palavras, taxou as importações de novo - os brasileiros já estavam mais do que acostumados a parcelar suas comprinhas. Tiveram de dar adeus a elas.

"A popularidade dos artigos importados pode ser aproximadamente estimada de relatos impressionistas da época: nos termos do relatório oficial da CEXIM de junho de 1947, os consumidores que aspiravam por bens importados não envolviam apenas as “classes abastadas”, pois foram importadas também “bagatelas e artigos da moda, que exercem
poder de fascinação invencível, mormente sobre as camadas mais modestas das populações, que, para obtê-los, em regra assumem, pelo tão divulgado sistema de ‘prestações’, encargos financeiros que comprometem e sacrificam por muitos meses a melhor parte de seus diminutos salários.
” Ricardo Bielschowsky, economista e professor da UFRJ.

Nem recessionistas, nem depressionistas - taxistas, impostoras talvez?

NYT, October 26, 2008
A Label for a Pleather Economy
By NATASHA SINGER


IN an economic climate in which buying a handbag with a four- or five-digit price tag is starting to seem gauche, the free-spending style hounds formerly known as “fashionistas” are rebranding themselves.

Consider the $1,235 patent-leather satchel with golden hardware designed by Anya Hindmarch.

Mary Hall, a marketing manager at I.B.M. in Redondo Beach, Calif., heard its siren call. Then she went to Target to purchase a similarly shiny purse, made out of polyvinyl chloride, by the same designer. Price: $49.99.

“In the current economy, I thought I would reform,” Ms. Hall said.

Welcome to “recession chic” and its personification, the “recessionista,” the new name for the style maven on a budget. That the word represents the times could explain why Sarah Palin’s new wardrobe ($75,000 at Neiman Marcus and nearly $50,000 at Saks) struck some as distasteful.

Ms. Hall, who first read the term in newspapers and on Web sites like Jezebel.com, even started a blog to chronicle her cheap and chic choices: therecessionista.blogspot.com.

In part, the word reflects the efforts of fashion and beauty publicists to spin the economic downturn as an attractive retail trend. For instance, Bourjois, a moderately priced makeup line from France, sent a recent press release by e-mail to reporters promoting the brand’s cheapest mascara and lip glosses as “the Recessionista Collection,” an antidote to gloom. An e-mail message sent last week on behalf of Salon Eliut Rivera in Manhattan promoted “Recessionista Beauty,” offering discounts on haircuts and eyebrow shaping.

The use of the word recessionista is “making light of a situation that isn’t so favorable for the consumer-driven industries of our nation, spinning it ... and delivering a luring message to the masses — PR 101 ladies and gentlemen,” wrote Heather Viggiani on the blog of a public relations firm where she works part-time, www.piercemattiepublicrelations.com.

Ms. Viggiani, who is also an undergraduate student in advertising and marketing at Fashion Institute of Technology in Manhattan, went on to describe a “recession chic” movement in retail. “A host of discount brands kneel graciously at the feet of recession and position their products and services not only as the smart thing to do, but the posh one.”

Grant Barrett, a lexicographer who specializes in new words and slang, said the word is being used to give Americans an excuse to buy more stuff.

“It’s kind of permitting consumers to have justification for their spending habits,” he said. Mr. Barrett included “recessionista” as an up-and-coming catchphrase earlier this month on his Web site, DoubleTongued.org. “The idea is, because they are spending less or getting more value, it is still O.K. to shop,” he said in a recent phone interview. “It’s a very self-serving message.”

“Recession chic” is yet another in a long line of terms created by fashion writers who have an affinity for the suffix “chic”: hippie chic, Seventies chic, tribal chic, military chic, geek chic, Camilla chic, rehab chic, eco chic.

Back in February, the headline “Recession Chic” topped an article in The Times of London by Lisa Armstrong, the newspaper’s fashion critic, who noted a return to tailored dressing among businesswomen. In April, the same headline accompanied a piece by Kate Betts in Time magazine that described the new somber collections of fashion designers.

“Come fall, fashion will follow the downward spiral of home values and investment portfolios, as designers embrace restraint with a dark palette and severe silhouette,” Ms. Betts wrote.

For recession chic to become a trend, however, the stigma of profligacy associated with shopping for clothing in an uncertain economy would have to be played down.

Style.com, the Web site of Vogue magazine, has declared passé the free-spending fashionista of the type lionized in “Sex and the City.” In her stead, the Web site fashioned a new icon for the new austerity, a plucky heroine able to fixate on designer logos even at a time when her house might face foreclosure.

Derek Blasberg wrote this summer on style.com: “You should know that while the fashionista may have locked herself in the vault with her tiaras, her younger, hipper sister — recessionista — is at the mall finding designer threads (or diffusion designer threads) at discount prices. Look for her at Target, Uniqlo, Payless or Kohl’s, all of whom have inked deals with designers recently. That’s because recessionistas aren’t letting a little thing like falling stock prices and rising gas bills get in the way of their wardrobe.”

The nomenclature may be new. The idea of moving merchandise in a tough climate is not.

A Sears catalog from 1930 at the beginning of the Great Depression offered “coats of the new mode in the spirit of smart economy” priced to sell at $9.75 to $25. Phrases like “be smart and thrifty” and “look at the chic economy” promoted dresses that cost $4.98 to $8.98.

In the wake of the stock market crash of 1987, designers began to offer less-expensive second lines. In 1989, for example, Donna Karan introduced DKNY.

Certainly, the word “recessionista” has its roots in economic hardship. Finance executives first used the term to connote a person predicting a recession or a person who believes a recession would benefit the long-term health of the economy, according to lexicographers.

But, over the last six months, publicists, retailers and even a few consumers have refashioned the word that rhymes with fashionista.

“It’s a sound-alike word,” said Paul McFedries, the proprietor of an on-line dictionary of catch-phrases called wordspy.com, which added “recessionista” to its lexicon in July. While it may seem inane to make use of a weighty word like “recession” to form a playful neologism that embraces shopping, people are using it because it is fun to pronounce, he said. “If you are a grammar pedant, you are going to lose a lot of the joy of the language.”

Ms. Hall of therecessionista.blogspot.com said her friends like the word so much they have nicknamed her Recessionista. “It is more lighthearted to say ‘I am the Recessionista, and I don’t really go for that,’ instead of saying ‘I can’t afford that or I don’t want to spend the money,’ ” Ms. Hall said. “The ‘ista’ on the end there, it gives it a little touch of the bling, I think.”

Indeed, “recessionista” carries an upbeat tone that recalls an earlier credit crisis neologism: “staycation,” a euphemism for spending one’s vacation at home. Similar terminology — “frugal chic,” “recession-proof dressing,” going on a “spending fast” — with more negative connotations has not caught on among consumers or the fashion world.

Mr. McFedries said the word is a more encouraging term than phrases like “conspicuous austerity” or “inconspicuous consumption.”

Publicists “want to come up with a word or phrase that makes things seem not as bad as they are,” Mr. McFedries said.

He added: “You’ve got to put a positive spin on it because you have to get people to spend money when they don’t want to on an optional purchase.”

But recessionista may not be the final incarnation of a style hound on the scent of designer discounts.

In the event that the economy worsens, make way for the depressionista.

BOA APLICAÇÃO pantalona de veludo


Akris, resort 2009

Então se a bolsa não é mais um investimento de retorno seguro, é bom voltar os olhos para aqueles fundos a longo prazo. Pode ser que eles não dêem aquele retorno de impacto (como faria um dos colares Lanvin inverno 2008-2009 no look), mas afinal o que há de mal em algo que dê ganhos menores (sem o efeito 'uau' imediato) mas constantes e forever?

Nada.

Pantalonas de veludo, por exemplo. Por anos elas estiveram esquecidas. O retorno dos 1970 - 'lavado' pelo minimalismo - trouxe à tona um curinga daqueles.

Há veludos e veludos. O cotelê é sempre mais esportivo e vai mesmo no dia-a-dia dos dias mais friozinhos... Combina com tecidos mais cotidianos e mais pesados (lã, por exemplo).

(quanto tempo vamos demorar para nos acostumarmos ao fato de que não dá mais para dividir o ano em primavera/verão e outono/inverno? as estações mudam agora semana depois de semana. as pereiras do jardim do namorado da minha irmã mais nova estão tão confusas com a oscilação de temperatura que produziram muito no ano passado e esse ano ainda nada... o pessegueiro passou o inverno florido!!!)

O alemão e o molhado são ótimos para pantalonas noturnas. A textura é sexy (combine com seda, por exemplo, entre outros tecidos igaulmente sensoriais e sexy). A levada é deliciosamente vintage.

O efeito é providencialmente eterno. Compre agora, use o quanto o tecido tiver aparência de novo.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

MODERNA NO ATO paletó sobre vestido


3.1 Phillip Lim, resort 2009

Fique de olho no paletó masculino, com essas proporções megageométricas e anticurvas. É o que vai mudar tudo numa produção. Sobre vestidos, não necessariamente curtos, entram como o elemento adulto do look que tinha tudo para ser apenas fofo, ou boho ou, bem, bobo.

Se você tem pernas, o jogo entre comprimentos do vestido e do paletó deixa tudo mais fresco ainda. Se você não rola sem rock (corra par ao desfile da Balmain para inspiração), vale deixar o comprimento do vestido muito acima da barra do paletó.

AQUI TEM bracelete à Verdura


Braceletes Cruz de Malta de esmalte e pedras, Fulco di Verdura para Chanel, 1937.



Bracelete de turquesa e banhado a ouro, José & Maria Barreras, 640 dólares (Neiman Marcus).



Bracelete de prata, mosaico de madrepérolas, druza e quartzo fumê, Camila Sarpi para Isabella Giobbi, 1 530 reais.


Deve ser a chegada do calor. Mas joalheiros daqui e de lá estão pondo as manguinhas de fora e criando os braceletes mais desejáveis de muitas temporadas: vistosos, presentes, definitivos e definidores dos looks, de metal e pedras.

Tem a ver com o retorno do déco, da déco e do decoro no look. Se você puder colocar os olhos nas memórias de Fulco Santostefano della Cerda, Duque of Verdura - The Happy Summer Days - o mundo todo vai fazer sentido.

Ditada em 1976, as memórias deixam claro como a infância passada sob o sol da Sicília moldou o gosto de Fulco di Verdura, parceiro (criativo) de Coco Chanel a partir de 1927.

(Alugue "O Leopardo", baseado no livro de Giuseppe di Lampedusa, primo de Verdura, para entender o cenário e a família aristocrática e excêntrica de ambos.)

Pedras grandes, o barroco, paixão pelo ouro, gosto pela natureza, o sofisticado de braços dados com o primitivo - tudo isso fazia parte do repertório desse joalheiro por acaso, nascido em Palermo, 1898.

Nada no seu estilo combinava com a moda da 'jóia branca' - platina + diamantes - da época.

Foi o que bastou para Chanel cair de amores pelo seu desenho. Chanel, é sabidíssimo, não acreditava no valor de commodity da jóia. Dizia que, se era para ostentar o poder de compra, melhor logo usar um cheque pendurado no pescoço.

As peças de Verdura eram a anticommodity. Fauna, flora, materiais pouco usados (Verdura se orgulhava de dizer que tinha poder de transformar uma conchinha banal em pedra preciosa) eram colocados juntos segundo um conhecimento enciclopédico de história da arte.

Sob medida para Chanel, cujas costume jewelry não raro saíam direto de retratos de mulheres pintadas no século 16. Ou antes, do Império Bizantino - fonte principal de inspiração para as peças feitas por Robert Goossens para ela.

O encontro dos dois não é História com h maiúsculo. Há duas versões. A primeira diz que eles se conheceram nos salões do Palazzo Rezzonico, em Veneza, numa festa oferecida por Linda e Cole Porter, 1925. Outra, mais excêntrica e publicada pela New Yorker em 1941, diz que ele torrou o dinheiro da herança numa festa que durou uma semana na Sicília e depois num baile temático de Lady Hamilton. Em seguida, foi para Paris trabalhar com Chanel.

Primeiro, como designer têxtil.

Depois, como joalheiro. Para a clientela da rue Cambon e em benefício próprio: Verdura ficou encarregado de dar cara nova para peças que ela recebeu dos amantes ao longo dos romances.

Em 1935, já estabelecido em Nova York, Verdura criou a peça mais icônica da dupla: o bracelete de esmalte com pedras dispostas na forma da Cruz de Malta. O primeiro exemplar foi feito com a Cruz que Dmitri, o último representante da família Romanov e amante de Chanel, deu a ela.

Há quem diga também que a Cruz de Malta é uma das memórias mais antigas de Chanel, da época em que viveu num orfanato/convento.

Mutas versões do bracelete vieram depois (até dourada), até Verdura abrir uma loja própria em 1937 e a parceria terminar.

Em 1941, Salvador Dalí e ele trabalharam juntos numa coleção de jóias. Ele criou as abotoaduras Night and Day para Porter, inspirada numa de suas canções mais conhecidas. Em The Philadelphia Story, Katherine Hepburn interpreta uma socialite cujo porta-jóia é forrado de Verdura.

Verdura morreu em 1978. Continua à venda - inclusive uma das versões do bracelete Cruz de Malta.

É o parceiro perfeito para as mangas curtas, mangas 3/4 (Balenciaga as inventou com esse propósito, o de as clientes exibirem seus braceletes) e, sim, sobre mangas compridas.

Mas o melhor é usar em total simetria como faz Camila Sarpi - um de cada lado e uma atitude bem art déco. Nenhum camiseta H&M vai fazer feio à mesa dos melhores restôs se você levantar os punhos na frente dela. Bem fresco, bem verão - ainda que não seja num jardim barroco siciliano!

(inside joke, mas verdadeiro...)



De curiosidade:


Colar de ametistas e águas-marinhas brasileiras, Fulco di Verdura para Bernice McIlhenny Winterstee, 1969.

Em maio desse ano, a casa de leilão inglesa Bonhams (1793!) colocou à venda (entre 40 mil e 60 mil libras esterlinas) o colar de ametistas e águas-marinhas feito por Verdura a pedido de Bernice McIlhenny Winterstee, colecionadora de arte moderna e primeia mulher a presidir o Museu de Arte da Filadélfia (1964-1968).

Bernice comprou as pedras numa das muitas visitas ao Brasil e deu a Verdura para que fizesse mais uma peças - ela adorava entreter os amigos em jantares, sempre usando peças douradas, grandes e com pedras coloridas.


Leia também, além das memórias: Verdura: The Life and Works of a Master Jeweler, Patricia Corbett (Thames & Hudson, 2002 e 2008).

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Preto vai bem, diria Mr. Blackwell

(estou atolada, mas não alienada).

Então, mais uma voz dissonante vai. Ainda que aos 86, vai cedíssimo. Nessa era do marketing, todo mundo sorri e ninguém fala mal de ninguém (pela frente), Mr. Blackwell era welcome... E olha que eu admiro demais Eleanor Lambert, que criou a Best Dressed List (hoje na Vanity Fair).

Alguém poderia reeditar Telmo Martino, colunista social do JT. Ruy Castro disse bem que ninguém era alguém, para o bem e para o mal, se não passasse pela coluna dele. Para mais, leia Serpente Encantadora, com o veneno publicado entre 1975 e 1985, lançado pela editora Planeta em 2004.

Pérolas aos óin-óinc: Lina Bo Bardi, "a última fã de Veronica Lake", Elba Ramalho, a "Frajola do Flagelo", a expressão "poncho e conga" para os hippies...

Veja os comentários de Blackwell!

Fashion critic Mr. Blackwell dies in Los Angeles

The Associated Press
Monday, October 20, 2008

LOS ANGELES: Mr. Blackwell, the acerbic designer whose annual worst-dressed list skewered the fashion felonies of celebrities from Zsa Zsa Gabor to Britney Spears, has died. He was 86.

Blackwell died Sunday at Cedars-Sinai Medical Center of complications from an intestinal infection, publicist Harlan Boll said.

Blackwell, whose first name was Richard, was a little-known dress designer when he issued his first tongue-in-cheek criticism of Hollywood fashion disasters for 1960 — long before Joan Rivers and others turned such ridicule into a daily affair.

Year after year, he would take Hollywood's reigning stars and other celebrities to task for failing to dress in what he thought was the way they should.

Being dowdy was bad enough, but the more outrageous clothing a woman wore, the more biting his criticism. He once said a reigning Miss America looked "like an armadillo with cornpads."

A few other examples:

Madonna: "The Bare-Bottomed Bore of Babylon."

Barbra Streisand: "She looks like a masculine Bride of Frankenstein."

Christina Aguilera: "A dazzling singer who puts good taste through the wardrobe wringer."

Meryl Streep: "She looks like a gypsy abandoned by a caravan."

Sharon Stone: "An over-the-hill Cruella DeVille."

Lindsay Lohan: "From adorable to deplorable."

Patti Davis: "Packs all the glamour of an old, worn-out sneaker."

Ann-Margret: "A Hells Angel escapee who invaded the Ziegfeld Follies on a rainy night."

Camilla Parker-Bowles: "The Duchess of Dowdy."

Bjork: "She dances in the dark — and dresses there, too."

Spears: "Her bra-topped collection of Madonna rejects are pure fashion overkill."


The critic acknowledged he had mixed feelings about appearing so publicly mean. Most of the women he put through the wringer, he said, were people he genuinely admired for their talent if not their fashion sense.

"The list is and was a satirical look at the fashion flops of the year," he said in 1998. "I merely said out loud what others were whispering. ... It's not my intention to hurt the feelings of these people. It's to put down the clothing they're wearing."

He told the Los Angeles Times in 1968 that designers were forgetting that their job "is to dress and enhance women. ... Maybe I should have named the 10 worst designers instead of blaming the women who wear their clothes."

Surprisingly, the woman who topped his worst-dressed list for 1982 (announced in early 1983) was the newly married Diana, Princess of Wales. He said she had gone from "a very young, independent, fresh look" to a "tacky, dowdy" style. She quickly regained her footing and wound up as a regular on Blackwell's favorites list, the "fabulous fashion independents."

Blackwell had started out as an actor himself, having been spotted by a talent agent while still in his teens. He landed a job as an understudy in the Broadway production of Sidney Kingsley's heralded drama "Dead End."

Although he got to play the role of the Dead End Kids' leader on stage only one time, it led him to Hollywood where he landed bit parts in such films as "Little Tough Guy" (uncredited) and "Juvenile Hall" (as Dick Selzer).

He abandoned his acting career in 1958 after failing to make it in movies and switched to fashion design. He claimed to be the first to make designer jeans for women, and his salon had begun to attract a few Hollywood names when he issued his first list covering the fashion faux pas of 1960. (Italian star Anna Magnani and Gabor were among his early victims.)

It quickly brought him the celebrity he had long coveted, and he quickly became a favorite on the TV talk show circuit. He hosted his own show, "Mr. Blackwell Presents," in 1968 and appeared as himself in such TV shows as "Matlock" and "Matt Houston."

In 1992, he sued Johnny Carson for claiming that he had added Mother Teresa to his list, saying the comment exposed him to hatred and ridicule. NBC's response was that the "Tonight Show" host was obviously joking.

"Did you see what he said about Mother Teresa? 'Miss Nerdy Nun is a fashion no-no,'" Carson had said. "Come on now, that's just too much."

During his heyday the issuing of Blackwell's annual list was an eagerly anticipated media event.

On the second Tuesday in January he would assemble reporters at his mansion for a lavish breakfast before making a dramatic entrance for the television cameras.

By the turning of the millennium, however, the list had lost its juice and Blackwell took to issuing it by e-mail.

Born Richard Sylvan Selzer in 1922, Blackwell recounted in his autobiography, "From Rags to Bitches," a troubled, poverty-ridden childhood in which he was variously a truant, thief and prostitute.

He is survived by Robert Spencer, his partner of nearly 60 years.

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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

MÁXIMA DO DIA Carolina Herrera

(em 1977, sobre como ser chic)

"Conviver com nossos problemas já é o começo de uma solução."

A SEMANA COM Luiza Barcelos - dia 6

Depois que a segunda filhota nasceu, Luiza Barcelos enxugou 21 quilos (!) e recuperou alguns prazeresinhos do closet. A saber: voltou a usar calça jeans - "morria de saudades"- e comprou shorts e vestidos curtos, que "ousei ao usar com botas". "A saia-lápis com blusa por dentro é outra novidade que surgiu com o corpinho novo", diz Luiza.



Belo Horizonte, 20h30, a caminho do restaurante Aurora
Luiza Barcelos, da marca de sapatos homônima

Usa: Macacão? Mara Mac. Broche? Acervo pessoal. Sapatilha? Luiza Barcelos. Bolsa? Acervo pessoal. Qual a melhor idéia do look? A escolha do azul-marinho para a noite, uma alternativa ao preto.