segunda-feira, 19 de julho de 2010

MÁXIMA DO DIA Françoise Sagan

Para os dias de retorno à feminilidade, um lembrete aos (ufa!) retrossexuais, caso eles tenham se esquecido da função de uma peça de roupa essencialmente feminina:

"Um vestido só faz sentido se inspirar um homem a despir você."



(“A dress makes no sense unless it inspires men to take it off you.”)

FANTASCHIC Marilyn Monroe

Foto de Sam Shaw (Rex Features): ele fez a famosa foto do vestido sob o ventinho do metrô.

Marilyn parece ser certa agora.

Uma certa naïvité. Uma certa sensualidade. Curvas até nos cabelos ondulados. E o batom + colar?

quarta-feira, 14 de julho de 2010

MÁXIMA DO DIA Bouchra Jarrar

"Amo todos as funções na moda - as pessoas que criam, que cortam, que fazem as peles, os couros. Estou sempre com eles. Eles são os verdadeiros fazedores da moda."

A estilista francesa é a boa nova da semana de moda de alta costura, Paris.


(“I love every job in fashion — the people who are creating, the people who cut, those who do the furs, the leathers. I’m always with them. They are the real ones doing fashion.”)

domingo, 11 de julho de 2010

ROUPAS DO OFÍCIO segunda-feira de vermelho

Céline, pré-inverno 2010

Talvez a culpa seja da vitória da Espanha - um jogo que eu não vi -, mas o vermelho está no ar e segunda-feira parece o dia perfeito de usar uma cor que levanta até os times mais inesperados para o primeiro lugar.

À Lacroix e Balenciaga, dois amantes (e que outra palavra cabe para essa cor?) do vermelho-sangue.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

BELEZA PURA vilãs!

Malévola - e nunca Bela Adormecida e afins - é minha heroína.

Linda, chic, com voz rouca - é tudo o que uma mulher quer ser minus o rancor e os chifres.

Faz todo o sentido, então, as rainhas más inspirarem uma coleção de produtos da MAC.

São elas:
- Cruella de Ville, de 101 Dálmatas
- Dr. Facilier, de A Princesa e o Sapo
- Madastra Má, de Branca de Neve
- Malévola, de Bela Adormecida


Disney Venomous Villains: coleção não chega ao Brasil

Do WWD:
São 40 tons - entre 12 e 29,50 dólares.

Os produtos da Rainha Má e da Cruella de Ville consistem em tons de vermelho e pêssego. Os da Malévola, roxo e preto. E Dr. Facilier, “Magically Cool Liquid Powders”, um pó extra-leve.

ps. amigas em NY? O jeito é encomendar. Nas lojas a partir de 30set.

terça-feira, 6 de julho de 2010

A TEORIA da alta costura prática

Alta costura é muito fácil de se amar.

Para qualquer dedicada seguidora da moda - não necessariamente consumidora da roupa de ateliê -, a alta costura é a realização do momento Cinderela. Não pelo vestidão, mas pela fada madrinha (estilista) e pelos hábeis ratinhos (costureiras) que constróem uma roupa feita sob medida para o seu corpo/proporções. E, com sorte, para o seu tom de pele, modos, postura, blá, blá. Para você.

É o objetivo da roupa em si: uma embalagem uau que promete um conteúdo idem. A razão de ser da moda e do ofício do estilista. O resto é pastiche.

Insistir que a alta costura obsoleta é matar o modelista, as costureiras, os bordadores, os alfaiates e toda a cadeia artística necessária que faz da moda não apenas uma imagem (ou você pensa que é uma bonequinha de papel vestindo roupas de papel?), mas uma peça tridimensional com uma função muito superior a chatice eterna da busca pelo status- da grana, da novidade.

Por aqui, estilistas que amam o ofício da costura (André Lima, Ronaldo Fraga - que fez um desfile-ode às costureiras) lidam todo dia com a falta de gente para transformar suas ideias em roupas viáveis e vestíveis. Marcos Ferreira, que é capaz de apontar a diferença entre alfaiataria da escola alemã e da escola inglesa (eita!), diz que está cada vez mais difícil encontrar bons alfaiates. Sem gente que saiba deixar um ombro impecável (Chanel era inimitável, como Lagerfeld lembrou no curta para a coleção Paris-Shanghai e José Gayegos, modelista-mór entre nós, confirma), não há Saville Row nem elogios à alfaiataria de Stella McCartney.

PARIS-SHANGHAI : A FANTASY
THE TRIP THAT COCO CHANEL ONLY MADE IN HER DREAMS.
Karl Lagerfeld, dez2009



A questão é como mantê-la relevante - não apenas só uma espécie de post it de como a moda funciona na base, antes de ser mercado de massa - e muito além do baile?

Uma geração de novos costureiros está atrás da resposta. E Alexis Mabille, que eu entrevistei para a Vogue justo numa história justamente sobre a haute, no desfile de ontem (5jul) em Paris, chegou muito perto (senão à) da resposta.

Inspirado talvez pelos tempos de cintos apertados (não que crédito seja um problema dessa clientela - uma peça dele custa, média, 8 mil dólares), Mabille fez um desfile de separates - a calça, a blusa, a saia, o casaco - que, styled de diferentes jeitos, multiplicam o look.

Quão banal, cotidiana, pode ser essa ideia?

Não satisfeito, Mabille desobedeceu as regras do jogo e desfilou a mesma peça mais de uma vez, num "assim ou assado" que pode ser ainda mais multiplicado em casa.




















A nova moral da história são peças-investimento. Sai o "use apenas uma vez no baile do Crillon", entra o "use muitas vezes". Não importa se você não tem 8 mil dólares.

Para quem deseja uma vida de alta costura (dá para esquecer os editoriais da Vogue América com a modelo fazendo compras no mercadinho metida num longo Lacroix ou enchendo o tanque de gasolina num monumental Dior?), essa é a alta costura da vida real. Um lembrete da função original da roupa - e da importância de ser bem feita. Ou como diz aqui Inés de la Fressange: uma casa de tijolos no lugar de uma cabana pré-fabricada.

Onde você prefere morar?

ROUPAS DO OFÍCIO terça-feira de vestido de couro e meiota dancin' days

Cynthia Rowley

Nunca é tarde para começar um dia de trabalho, certo? Para quem se sentiu, como eu, feito Calvin (Calvin and Hobbes), preso pelas cobertas, aqui vai a rebeldia do dia: vestido de couro, tipo põe e pronto e sandália com meias curtinhas de lurex - para indicar, discretamente, que sua vontade é não trabalhar. Couro é bom (sorry, Stella, não cheguei ao seu grau de evolução), cumpre bem o papel médias temperaturas, fica chic e reina na próxima temporada. Então, você chega antes e já fica quits o ciclo da moda quando ela vier...

ps. Da última vez que chequei, ainda temos essa liberdadezinha, não, de expressar discretamente os desejos?

domingo, 4 de julho de 2010

ROUPAS DO OFÍCIO segunda-feira com twist na camiseta & saia-lápis

Thakoon, pré-inverno 2010

O segredo é o peso das botas num look que seria bobo.

O que eu gosto é que significa que você foi recrutada para o trabalho - às vezes segundas podem ser odiáveis!

quinta-feira, 1 de julho de 2010

ROUPAS DO OFÍCIO sexta-feira de tweed

Giambattista Valli, pré-inverno 2010

Ha! No retorno cinquestista, como não amar o retorno do tweed? Tem uma elegância lady timeless, Chanel de Westminster (oops!) aprovaria, a sobrevivência em temperaturas temperadas também agradece (me desculpem quem vive acima do trópico de Capricórnio).

O melhor é que, quando a textura é o tema principal do roupa, nenhum outro esforço de imaginação é necessário. Vá simples, Valli ensina.

domingo, 27 de junho de 2010

ROUPAS DO OFÍCIO segunda-feira de pêssego

Chris Benz, verão 2010

Sei que tudo mundo pensa em nude e, quando todo mundo pensa numa mesma direção, é melhor seguir outro rumo. Como o pêssego. Feminino, igualmente erótico e um pouco mais afável com as moças de pele sem cor.

Nos pés, sandálias ou escarpins nude ou caramelo. E se o frio bater abaixo dos trópicos, cashmere ou paletó marinho.

Boa semana!

BELEZA PURA bad hair-good hair season


Bottega Veneta, verão 2010

Quando o cabelo está no meio do caminho (e só os deuses da moda sabem onde ele quer chegar), não tem saída mais inteligente do que prendê-los.

Ajuda a atual mania dos desfeitos/displicentes, porque, convenhamos, esse look nada mais é do que um empréstimo legítimo da vida real. Indomáveis, inacabados e, oba!, perfeitamente aceitáveis nos melhores ambientes. Basta uma boa faixa e um batom digno.

Um beijo e vai!

AQUI TEM Tobias Wong

O NYT de 25jun traz uma análise do suicídio por enforcamento de Tobias Wong (coincidência mórbida com outra cabeça-na-contramão e atormentada, McQueen, ainda que a matéria traga vozes que não descrevem Wong como atormentado), o artista que adorava os ready-mades de Marcel Duchamp e questionou, ufa! e portanto, o uso cotidiano dos objetos. Karim Hashid diz ao jornal que "ele fez a comunidade do design repensar o que estava fazendo - e porque estava fazendo". Não vejo como não (pelo menos) agradecer as pessoas que desafiam a maneira-rebanho de viver no mundo.

Tobias Wong com as "Cadeiras n1 e n2", em 2002, NY (cortesia NYT)


Conheci o trabalho de Wong quando vi o Killer Ring, de 2004, um solitário cujo brilhante é encrustado de ponta cabeça, com a 56a ponta para cima, uma arma perigosa. Desobediência modal pura. Why don't you, eu quase ouço DV...

Killer Ring, de 2004

O Killer Ring é um ready-made, mas se a ideia apetece ao seu mundo de cabeça paa baixo, Ara Vartanian fez fama com as peças de pedras invertidas, como essas colagens:




Jacqueline Terpins trabalha há duas décadas com móveis de vidro - e não necessariamente transparentes (e não necessariamente desconfortáveis).
Estúdio e poltrona, Jacqueline Terpins

terça-feira, 22 de junho de 2010

Nova bio de Coco Chanel

Nova bio de Chanel: lançamento em setembro pela HarperCollins. No Brasil, pela Ediouro, ainda sem data.


Há meses, fui convidada a assistir - numa sessão privé, très chic, no Reserva Cultural - o novo biofilme de Chanel, Coco & Igor, que entra em cartaz em 6ago. Continuação não oficial de Coco antes de Chanel, o biofilme foca no comecinho dos anos 20, quando Coco vira Chanel, lança o n.5 e tem um alegado romance com o compositor russo Igor Stravinsky. É baseado na ideia que o escritor inglês Chris Greenhalgh faz da ligação entre dois ícones do modernismo.

Leia mais sobre na minha matéria para a Vogue deste mês.

Se um "Chanel 3" vier a ser feito - este, bem bom, poderia ilustrar o período de autoexílio na Suíça, esclarecer a suposta ligação com o nazismo, o fechamento das lojas - dois livros servirão de base a ele.

O primeiro é The Allure of Chanel, de Paul Morand. Amigo da costureira, o escritor a visitou em Lausanne, em 1946, e gravou depoimentos sobre n assuntos. O livro só foi publicado em 1973, dois anos depois da morte de Chanel, e é o mais próximo de um registro autobiográfico que se tem da moça. No ano passado, a editora francesa Gallimard o relançou.

O segundo é Coco Chanel: The Legend and the Life, cuja capa você vê aqui em primeiríssima mão. O livro só sai em setembro e é resultado de uma década de obsessão da jornalista e escritora inglesa Justine Picardie por Chanel. No Brasil, os direitos de publicação foram comprado pela Ediouro, mas ainda não há data prevista de lançamento. (cheque este blog para updates).

Entrevistei Justine para o artigo de Vogue, mas aqui ela fala um pouco mais sobre seu objeto de pesquisa.

Sissi – Há inúmeras biografias de Chanel. Por que você decidiu escrever uma nova bio e de que maneira o seu trabalho se diferencia e contribui para o conhecimento sobre Chanel?

Justine – Há mesmo várias biografias publicadas sobre Chanel, mas a maioria foi escrita há muitos anos - muitas têm mais de três décadas. A primeira vez que escrevi sobre Chanel foi em 1998, quando era jornalista do Telegraph, e desde então eu pesquiso sobre a vida dela. Senti que poderia oferecer uma outra dimensão de Chanel, em parte usando os arquivos da maison em Paris, aos quais me foi permitido acesso irrestrito, e em parte usando arquivos históricos no Reino Unido, documentos que nunca haviam sido examinados antes, que fornecem mais informação sobre a ligação de Chanel com Boy Capel e o Duque de Westminster, assim como a influência de ambos sobre suas criações. Também tive a oportunidade de descobrir informações sobre as atividades dela durante a Segunda Guerra nos arquivos da polícia e do serviço secreto, a maioria nunca antes examinada.

Sissi – Qual a dificuldade de se escrever sobre Chanel?
Justine – Muitas. Ela contou tantas versões diferentes sobre o seu passado e muitas foram repetidas como verdadeiras - mesmo sendo mentirosas. As ficções criadas por ela foram reportadas como fato e as ficções de outras pessoas sobre ela também adicionaram camadas ao mito. Essas histórias fictícias se propagaram, especialmente com a internet, e foram tão repetidas que as pessoas as acreditam verdadeiras quando, de fato, não há evidências sobre elas.

Sissi - Dessas passagens nebulosas, o que mais interessava a você esclarecer?
Justine – Havia tantas coisas que eu queria descobrir - e em outras eu simplesmente "tropecei". Tive muita sorte de poder me hospedar no convento de Aubazine, onde ela foi educada. As freiras me permitiram ficar no antigo monastério, ainda que o orfanato não exista mais. A atmosfera do lugar é extraordinária. Também me deixaram escrever no apartamento de Chanel, na Rue Cambon, o que foi altamente inspirador. Eu queria muito esclarecer a ligação de Chanel com os alemães durante a Segunda Guerra. As pessoas sempre dizem "ela teve um caso com um nazi", mas as coisas se revelaram muito mais complicadas do que parecem. Ela estava cercada de agentes duplos e eu espero que isso fique claro no meu livro.

Sissi – Uma das minhas maiores curiosiodades é saber justo sobre a vida de Chanel durante a Guerra. A família Wertheimer, dona da grife, se opôs em algum momento a essa etapa da pesquisa, preocupada talvez com o fato de manchar a imagem do duplo C?
Justine –
Não me encontrei com ninguém da família Wertheimer, mas todos da maison Chanel foram muito prestativos: todos os arquivistas do Conservatoire e, sem dúvida, o próprio Karl Lagerfeld, que sabe muito sobre Coco Chanel.

Sissi – Ainda assim, há perguntas para as quais você não encontrou resposta?
Justine –
Não consegui responder várias questões sobre a infância dela. Por exemplo, ela reviu o pai depois de deixar o orfanato? Eu simplesmente não sei.

Sissi – Como você organizou o livro?
Justine –
Os capítulos estão divididos em parte pela cronologia, em parte por tema. É uma maneira de cobrir tanto a iconografia como os períodos da sua vida.

Sissi - Você cobre o alegado romance entre Coco Chanel e Igor Stravinsky, tema do novo biofilme sobre a costureira?
Justine –
Sim, ainda que não exista qualquer evidência que de fato eles tenham tido uma relação física.

Sissi – Como você definiria o relacionamento entre eles?
Justine –
Acredito que era uma ligação intensa, mas longe de ser duradoura como as relações com Boy Capel e o Duque de Westminster. O livro de Chris Greenhalgh é um romance, o que dá a ele mais liberdade de imaginar o que se passou entre Chanel e Igor. Na verdade, Stravinsky jamais falou sobre o assunto. Temos apenas o relato de Chanel registrado por Paul Morand - o que é apenas um lado da história - e um ou outro comentário de Misia Sert.

Sissi – Chris Greenhalgh sugere que Stravinsky passou do modernismo para o neoclassicismo na música e Chanel descobriu o n. 5 graças a influência de um sobre o outro. Você concorda? Qual a importância de Stravinsky na vida/obra de Chanel e vice-versa?
Justine –
Não há dúvida de que Stravinsky tenha escrito obras importantes durante sua estada em Bel Respiro, mas ele já havia demonstrado se afastar do modernismo antes disso e parte das composições criadas na casa de campo de Chanel tinham ligação com a música tradicional da Rússia. Sobre o n.5: as ligações são intrigantes – por exemplo, a composição para cinco dedos de Stravinsky, feita na época, evoca o nome do perfume –, mas estão longe de serem conclusivas. Ambos tiveram outras influências de peso - e a segunda mulher do compositor nega a ideia de que Chanel tenha sido relevante. Imagino que ela tivesse ciúme, mas ainda assim vale a pena apontar. Também é bom considerar que Chanel foi apresentada a Ernest Beaux, o perfumista do n.5, pelo Duque Dmitri e não por Stravinsky.

Sissi – Quem tem mais physique du rôle para interpretar Chanel: Audrey Tautou ou Anna Mouglalis?
Justine –
Tautou se parece muito com Chanel jovem. Mouglalis é carismática.

Sissi – Como você vê Chanel?
Justine –
Como uma self-made woman, alguém que construiu uma fachada como quem faz uma vitrine para se proteger. Ela tinha uma aparência extraordinária, mas, mesmo depois de uma vida de sucesso e conquistas, ainda permanecia vulnerável. Nesse sentido, ela era uma mulher como qualquer outra.

Sissi – Num certo sentido, você deve sentir um alívio enorme de ter chegado ao ponto final. Ou não? Deu um vazio agora que o livro está pronto?
Justine –
Não consigo parar de pensar nela! Agorinha mesmo me peguei pensando que não falei o suficiente sobre a última noite em Marienbad e quis acrescentar informações na prova. Acho que eu poderia passar a vida escrevendo sobre Chanel sem jamais sentir que o trabalho está completo.

Sissi – Por fim, frivolidades: você usa Chanel?
Justine –
Sim, eu uso: n5, claro! Também admiro Karl Lagerfeld - a maneira como ele reinventou a grife e ainda compreende claramente a essência de Coco Chanel. Tenho um pretinho básico que já tem mais de uma década e ainda parece atual. E tenho também um casaqueto Chanel que uso quase todo dia com jeans...

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Cristóbal Balenciaga em NY

Por Hilary Alexander, diretora da moda do Telegraph

Abre em novembro, no Queen Sofia Spanish Institute, em Nova York, a primeira expo a olhar com profundidade para o impacto da cultura, história e arte espanholas no trabalho de Cristóbal Balenciaga, a quem Cecil Beaton chamou de "o Picasso da moda".

As inovações de Balenciaga - a arte da silhueta, o domínio dos volumes e as inspirações vibrantes - transformaram o jeito como as mulheres se vestiram desde a abertura da sua casa, em 1937, até sua aposentadoria, em 1968.

Concebida por Oscar de la Renta, que trabalhou em Madri numa filial de Balenciaga, e com curadoria de Hamish Bowles, editor para a Europa da Vogue América, a expo reunirá 60 itens desenhados por Balenciaga, incluindo obras-primas como o vestido Infanta, de 1939, os boleros de 1946, os vestidos-flamenco de 1951 e 1961, e o vestido de noiva bordado de Sonsoles Díez de Rivera, filha da musa do costureiro, a Marquesa de Llanzol.


BALENCIAGA: Spanish Master. Queen Sofía Spanish Institute, 684 Park Avenue
De 9nov a 19fev2011.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

FANTASCHIC pregas trompe l'oeil, Prada



(cortesia Jak&Jil)

MÁXIMA DO DIA Jean-Michel Signoles

Do dono da Goyard, cujo logo de chevron é o mais querido nas malas de Karl Lagerfeld e Alber Elbaz:

"Eu queria tempo - é algo importante - uma forma de independência de não estar sempre com pressa - e sem buscar resultados". Singnoles tem 14 endereços pelo mundo e diz que seu faturamento é ridículo perto de outras grifes poderosas.

Aprecio a postura e os produtos sem moderação.

ps. “I wanted time — it is important — a form of independence not to be in a rush — and nobody looking for results.”

domingo, 13 de junho de 2010

Novo blog da Denise Dahdah

Se eu fosse usar uma marca para definir a minha personalidade - o que não significa definir o meu gosto - eu diria Bottega Veneta: stealth wealth é a minha crença de existência. Digo: não se exiba, exista. Ponto.

Mas tem pedidos que a gente não nega, como esse da Denise Dahdah, que está de blog novo. Eu já falei dela aqui.

Hoje ela comanda a moda da futura revista Alfa, masculina fina. Sai em agosto, certo, DeDahdah?

Graças a ela, eu tenho mais e mais rendido meu tempo ao universo masculino. Continuo sem saber dar nó de gravata - mas, afinal, eu penso que nem acredito tanto nelas e mesmo a moda, repararam?, decretou que elas estão fora. Quem fez, fez no tom da camisa para elas desaparecerem. Sinal dos tempos anti-Wall Street, já que nada fala mais Wall Street do que uma gravata sobre uma camisa listrada.

Verdade que Sylvain (Justum) acredita que costumes e gravatas jamais entrarão em extinção. Ele sabe, eu ouço, mas não posso deixar de torcer para uma evolução da espécie. Para o bem da criatividade no closet masculino. Que melhora e melhora a cada temporada (mercado ascedente - e não é de graça que vem a Alfa por aí).

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Verão 2011 André Lima

André Lima e eu nos encontramos no Casa Moda, salão que reúne estilistas para vender coleções a multimarcas.

Salões como esse são cada vez mais termômetro do gosto vigente e mostram quão disparatada pode ser a criação da compra pautada pelo suposto desejo do consumidor final. Triste, mas verdadeiro, pode ser a morte cotidiana do que Diana Vreeland sempre dizia que era o papel da revista de moda - e, aqui, por extensão, do bom estilista: oferecemos aquilo que nem sequer sabiam que iriam desejar. É o que faz o mundo ir para frente.

Enfim, é conversa para outro post.

Aqui, André conta como surge uma estampa e mostras duas feitas para o verão 2011, que ele desfila no 14jun no SPFW. Comop sempre, é o desfile-baile de encerramento da temporada, nossa chance de nos confrontarmos com a alma kitsch e elevá-la a outro (melhor e mais divertido) patamar.

Preto no altar? Qual o novo longo? E o que é melhor: errar ousando X acertar segura?

São coisas que ele responde aqui - além de dizer, claro, qual sua lambada favorita.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

MODERNA NO ATO camisa para dentro

3.1 Phillip Lim, verão 2010

Parece - e é - um nerdish, mas tudo o que é do contra, como bem sabe quem acompanha o vaivém da moda, é o que há de mais fresco.

Então é que colocar a camisa para dentro, na proporção calça 'santropeito', bem cary-grant-50s, parece um colírio.

(ps. atrás, o cardigã bate na mesma altura sobre o vestido-lingerie. diz tudo sobre a nova proporção = tudo no lugar)

A SEMANA COM Silvia Chreem - dia 07

Silvia e eu nos encontramos pela primeira vez no ateliê da joalheira Patricia Centurion. Carioca, ela veio a São Paulo apresentar as novas aquisições da Avec Nuance: Charlotte Olympia, Red Valentino, Anna Sui, Bottega Veneta, Anya Hindmarch.

A Avec é uma multimarcas de imports que começou há quatro anos como paraíso dos acessórios e agora expande para roupas - além de expandir os domínios do Rio para Brasília e São Paulo, com uma loja pocket show no Iguatemi (60 m2 comparados a 300 m2 do endereço na Capital Federal).

Enfim, currículos à parte, meu amor pelo estilo de Silvia foi à primeira vista. Ela vestia esse vestido-regata sob colete, ambos da Maria di Ripabianca. Intriga minha fashion intelligence quando há alguém no front com uma peça fora do óbvio e com um jeito de usar que confunde os olhos: é um vestido? como isso está amarrado? onde ela comprou a peça?

Passei um bom tempo conversando com Silvia, que vem - pelo lado do ex-marido - de uma família histórica de tecidos finos no Rio. Fomos de écharpes à taxação de importados e o impacto de tudo sobre o preço final: nada mal para recém-apresentadas.

Do que eu mais gostei na Silvia? Essa produção de cashmere diz tudo. Suave, discreta, luxuosa - no real sentido do luxo. Además, descobri que ela é expert em cashmere e, como a matéria-prima ensina, quem tem um digno não precisa de uma coleção de bobagens. Ela é a anticonsumo vazio e, afinal, para que mais do pior se você pode ter menos do melhor - por muito mais tempo?

Silvia Chreem, Rio de Janeiro


Usa: Blusa de tricô de algodão? Anne Fontaine. Cinto tipo “cordone” de fio de seda? D&G. Jeans? Juicy Couture. Bolsa de jeans? Valentino Garavani. Óculos? Bottega Veneta.

Qual a melhor ideia do look? O cinto! Por ser uma grande” corda”, pode ser produzido de várias formas.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

A SEMANA COM Silvia Chreem - dia 06

Silvia e eu nos encontramos pela primeira vez no ateliê da joalheira Patricia Centurion. Carioca, ela veio a São Paulo apresentar as novas aquisições da Avec Nuance: Charlotte Olympia, Red Valentino, Anna Sui, Bottega Veneta, Anya Hindmarch.

A Avec é uma multimarcas de imports que começou há quatro anos como paraíso dos acessórios e agora expande para roupas - além de expandir os domínios do Rio para Brasília e São Paulo, com uma loja pocket show no Iguatemi (60 m2 comparados a 300 m2 do endereço na Capital Federal).

Enfim, currículos à parte, meu amor pelo estilo de Silvia foi à primeira vista. Ela vestia esse vestido-regata sob colete, ambos da Maria di Ripabianca. Intriga minha fashion intelligence quando há alguém no front com uma peça fora do óbvio e com um jeito de usar que confunde os olhos: é um vestido? como isso está amarrado? onde ela comprou a peça?

Passei um bom tempo conversando com Silvia, que vem - pelo lado do ex-marido - de uma família histórica de tecidos finos no Rio. Fomos de écharpes à taxação de importados e o impacto de tudo sobre o preço final: nada mal para recém-apresentadas.

Do que eu mais gostei na Silvia? Essa produção de cashmere diz tudo. Suave, discreta, luxuosa - no real sentido do luxo. Además, descobri que ela é expert em cashmere e, como a matéria-prima ensina, quem tem um digno não precisa de uma coleção de bobagens. Ela é a anticonsumo vazio e, afinal, para que mais do pior se você pode ter menos do melhor - por muito mais tempo?

Silvia Chreem, Rio de Janeiro

Usa: Camiseta de seda e echarpe “wrap-around”? Ambas BCBG. Jeans? Juicy Couture. Sandálias? Stella McCartney. Bolsa? Renauld Pellegrino

Qual a melhor ideia do look? Sem dúvida, o wrap de cashmere. Fácil, classudo, versátil.... Enfim, tudo que eu preciso.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

MÁXIMA DO DIA Bill Blass (1922-2002)

"Na dúvida, use vermelho."

MODA NA REAL Ana Dias, no Casa Moda


Ana Dias, personal shopper

Usa: Camisa e calca? André Lima. Argolas? Mmm, não sei! Cinto? Marc jacobs. Anel? Roberto Cavalli. Sandálias? Tory Burch.

Qual a melhor ideia do look? Camisa de organza de dia, que pode sim! Um jeito chic de se vestir, sem ser over.

domingo, 9 de maio de 2010

ROUPAS DO OFÍCIO segunda-feira de mix de listras

Clements Ribeiro, verão 2010

Do Sudeste para baixo, esfriou - daí é jogar uma peça lisa, de sua preferência, por cima (porque há limites para o op overdose).

sexta-feira, 7 de maio de 2010

AQUI TEM vestidinho handmade 9h/21h

Marcos Ferreira, inverno 2010


Diane von Furstenberg, verão 2010

Talvez seja a entrada da era de Aquário, em fevereiro, que mudou o céu para algo mais natureba e simples - sem perder a sofisticação jamais.

Fato é que estilistas vêm se apropriando cada vez mais do artesanal, o que significa mais design sobre o feito a mão.

Marcos Ferreira, de Minas, produziu esse modelo todinho rendado a mão, que vai fácil sob blazer masculino + sapatilhas para o trabalho e desbanca para a noite com troca de pisantes e zero cobertura.

Na loja DvF no Iguatemi, SP, tem esse modelo, versão pink.


Marcos Ferreira. Rua Oliveira Dias, 330/31, Jardim paulista, SP. (11) 3884 1074. www.marcosferreiramoda.com.br

terça-feira, 4 de maio de 2010

BOA APLICAÇÃO brincos enamorados de ouro rosa, LV


Brincos Coeur, Louis Vuitton, R$ 4 060.

Nunca fui uma logogirl, então não vale me acusar de deslumbre.

Fato é que o dia dos namorados se aproxima e meu coração se derreteu por esse par de heart-dropping drop earrings de ouro rosa. A florizinha vuittoniana vira uma rendinha e o par parece saído da Belle Époque. É investimento para se fazer por gerações - como um Patek Philippe: você é apenas cofre até ele passar para frente na linha sucessória.

domingo, 2 de maio de 2010

PEQUENO DICIONÁRIO ILUSTRADO DE MODA chic

Chic é hoje um carimbo usado em muitos lugares, mas você sabe de onde veio e para onde vai essa palavra mágica, um elogio cobiçado à máxima potência pelo mundo e merecido por poucos e excelentes?

"Ford signed by Chanel", Vogue América, 1926: o LBD original é a epítome do chic

"A originalidade, simplicidade e funcionalidade de Chanel se traduziam por uma única palavra: chic", me diz a expert em modernismo, Mary Davis. E vai:

'Palavra-chave para distinguir a elegância modernista, o termo começou a ser usado na França no fim do século 18. No fim do século 19 servia para rotular "a arte de si mesma" baseada na individualidade, autenticidade e no bom gosto - segundo o Dictionnaire historique de la langue française. No momento em que o ilustrador Sem publicou o manifesto Le Vrai et le faux chic, em 1914, vários outros significados tinham sido 'colados' ao termo: "graça jovem e ingênua" e "simplicidade discreta e harmônica", "charme" eram invocados no manifesto, junto com a noção de chic como parte de uma sabedoria tradicional francesa.

Esses conceitos passaram para a década de 1920 - e em 1924 Vogue América passeava pelas muitas conotações do termo
na coluna "Guide to Chic". Na matéria intitulada "Before and after taking Paris", na qual a "Sra. Interior dos Estados Unidos" descobre a "diferença entr o chic francês e o produto nacional", explica-se:

"Simplicidade. Este era o primeiro passo. Um bom vestido, bem desenhado, bem cortado, com uma única ideia na sua construção e um acabamento que garantia a personalidade. Como regra, quanto mais simples, melhor. Simplicidade de linha, perfeição nos acessórios e para quem é chic no superlativo um toque próprio é o segundo passo."

Quando se tratava de chic, portanto, simplicidade - o tipo que sempre foi e será caro, como escreveu a Vogue em 1919 - era fundamental e Chanel era o ícone. Ao longo dos anos 1920s, sua moda "árida", inspirada na vida balneário e caracterizada por uma simplicidade jovem ao mesmo tempo por elegância sofisticada, foi a base de um estilo atemporal e transatlântico que permanece na alma de um dos impérios mais poderosos da moda.'

ROUPAS DO OFÍCIO segunda-feira de sobre tons de pó-de-arroz

Lutz&Patmos, verão 2010

É quase como a preguiça deliciosa de domingo se estendendo sobre a segunda de suor: cashmere, seda e fibras naturais afins garantem o efeito coccoon, para uma trasição suave entre o sonho perfeito e a dura realidade. Boa semana!