segunda-feira, 12 de outubro de 2009

A TEORIA das bare necessities

YSL, verão 2010



YSL, verão 2010



YSL, verão 2010



Prada, verão 2010



Prada, verão 2010



Prada, verão 2010



Fendi, verão 2010



Fendi, verão 2010



Dolce&Gabbana, verão 2010



Dolce&Gabbana, verão 2010



Dolce&Gabbana, verão 2010

Mais e mais a lingerie – ou o que ela representa – tem se mostrado o discurso atual das passarelas.

Na estação passada, corsets e transparências desconcertaram a audiência. Não por pudor, mas por colocá-la frente à frente com a imagem de sexo/sensualidade 1940s – forte, assumida e extremamente adulta e feminina – apagada do repertório da mulher do século 21.

(leia mais sobre em minhas matérias para a Vogue de setembro (Tire o corset do baú, sobre o dito cujo) e de outubro (Peep show, sobre as transparências)

Há um lado colete à prova de balas neste corsets – o mais, digamos, caricatural deles em sendo a armadura-medieval Fendi sobre vestidos Sofia Loren passados na cor camelo. No sentido metafórico, é como se as barbatanas da peça estruturassem a mulher para encarar o mundo de peito aberto. E firme, no lugar.

Como nos 1940s, quando as mulheres assumiram postos nunca antes imaginados/permitidos.

Uma exposição recente em Paris expôs um lado pouco comentado da França Vichy: fotos de André Zucca do cotidiano de mulheres bem vestidas, com jóias e sapatos dominatrix, se maquiando (já falei disso aqui, do ponto de vista dos sapatos).

As cenas causaram polêmica e repulsa. "A verdade é que as pessoas se adaptaram à ocupação", explicou à época Patrick Buisson, autor de 1940-1945 Années Erotics (1940-1945 Anos Eróticos). "Era preciso provar que se estava vivo e as pessoas sentiam isso fazendo amor." Ou se maquiando. Ou usando corseletes para dar bandeira.

Devagar, no entanto, o gesto de sobrevivência da mulher-sexual dos anos 1940 dá sinais de que vai abrir caminho para a mulher-objeto sexual, insinuando que a onda 30/40/80 vai, ao longo das próximas temporadas, virar 50/60/90.

No desfile de alta costura Dior, inverno 2009, John Galliano recorreu a fotos de arquivo de Christian, o original, vestindo as modelos no backstage. O resultado é um otimismo em forma de cores, saias rodadas a New Look e as curvas marcadas por sutiãs estruturados.

Assim:




Fotos de calcinhas Playtex e sutiãs, de Gjon Milil, 1951.

Calcinhas da vovó se juntam no verão 2010 às transparências e aos corsets e sutiãs que continuam saindo do armário. Ainda que um lado seja meio calcinha da vovó mesmo - a função do Playtex, por exemplo, é segurar o que a gravidade já condenou - há toneladas de calçolas bem boudoir nas passarelas (em defesa da calcinha à moda Playtex, há misturas bem esportivas, bem Alexander Wang).

Estamos sendo expostas a um realidade que já não faz mais parte da nossa vida.

Sexuais ou objetos-sexuais, mulheres d'antanho tinham intimidade com a roupa íntima. E a roupa íntima tinha mais camadas do que meros um sutiã + uma calcinha quaisquer da gaveta. Cinta-liga, anágua, combinação – enfim, essas coisas todas muito além da nossa preguiça atual de ser mulher-feminina também por debaixo dos panos.

Quantas de nós estaremos de fato preparadas para bancar essa nova/velha mulher?

Suponho que pouquíssimas. E poderíamos dar as desculpas mais diversas, da falta de tempo à ressaca da revolução feminista.

Muitas décadas já se passaram desde a tal queima do sutiã. Todas já podemos reestabelecer o convívio com a peça que no mínimo impede que você chegue aos 50+ com bexigas murchas (é mais do que muita coisas feita em nome do amor próprio e da boa aparência).

Há um sentido de função na lingerie na mesma medida em que há um sentido de fantasia.

Estilistas parecem nos dizer que podemos olhar para todos os papéis da mulher do século 20 - dona-de-casa, peça de reposição na linha produtiva, objeto sexual, homens de saias (ou seriam mulheres de calças?) – e nos despir de ideias passé. Fazer delas o que bem entendemos (não era esse o plano?).

A segunda metade do século 21 começa prometendo que podemos ser femininas (não é isso, de uma certa forma, que dizem as intimidades expostas na passarela?) sem que isso signifique fraqueza, humilhação, bláblá...

Começamos, então, reconquistando o nosso direito básico de ser mulher. Inclusive escolhendo ser objeto sexual, nem que seja por um espaço limitado de tempo e de boudoir.

(ps. É como voltar nos anos Dior e poder revivê-los com autonomia. Dior já dizia: "Sem a base, não pode haver moda." Por base entenda-se nosso closet fundamental: lingerie.)

5 comentários:

Na. disse...

Eu ja tinha visto as imagens dos desfiles, mas não parei para pensar no que isso significava. Adorei o texto, perfeito!!

João Batista Jr. disse...

Muito bom!

senhorita sartori disse...

A sua visão sobre a moda sempre me encanta. É preciso sair do lugar comum e isso vc faz muito bem.
Beijos pra ti, Sissi!

Karin disse...

Eu costumo ver, pesquisar na internet sobre comportamento e moda, por diletantismo, e tinha chegado à conclusão, principalmente, através das meninas muito jovenzinhas e aquelas que moram no norte, que elas querem, principalmente, parecer mulheres, femininas... é isso aí! bisoussss

Anônimo disse...

como vai a galera?!Eu pesquisava e pesquisava exausto de procurar formas de ganhar algum online ate que axei uma pagina para ganhar algum sem arriscar para jogar poker,adoreimuito!
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Inte