quarta-feira, 5 de agosto de 2009

A TEORIA das unhas

Faz um tempão que eu não teorizo sobre o que é aparentemente "inteorizável". Mas é.

Mas eu acho que nasci com um termômetro interno sensível às oscilações estéticas. Mesmo as de beleza – minha amiga Kate, que começou a carreira de jornalista indo da Febem (como repórter, não como interna, afe!) para o beauty counter sem querer (logo, logo vem com um blog do bom sobre o tema) pode provar como eu, instintivamente, adivinhava qual era a próxima modice. Em beleza.

Então, meu termômetro interno começou a oscilar de um jeito esquisitíssimo. Faz uns dois meses mais ou menos que eu não consigo pintar as unhas das mãos. Tenho uma reação de horror só de pensar em passar um tomate, um preto, um coral, um rosa-choque, as minhas cores favoritas.

Tentei driblar essa reação natural com o óbvio: um nude. Não deu. Fui um passo adiante: um nude transparente (Ilha do Mel, Colorama) e depois um pó-de-arroz transparente (Dior). Mal conseguia olhar para as pontas dos dedos.

Denise Dahdah, outra amiga de antenas estreladas, saiu fuçando as preferências por aí e para si.

Zeitgeist!

Tem muita coisa acontecendo no mercado do esmalte. Eu mesma já postei aqui o rosa-maravilha de John Galliano, azul noite, violeta vingativo e verde-jade de Chanel, a ideia de pintar as unhas de diversas cores (também na Triton e no Sea of Shoes). Tem os neon e as cores frias.

A rever:

Dior, inverno 2009: as unhas-meia lua das garçonnes foram inventadas por uma manicure da MGM nos anos 1920. Minha avó se lembra de ter usado e John Galliano vem investindo nesse look há uns bons dois anos. É a menos novidadeira das novidades.

Thakoon: variação sobre o mesmo tema.



Chanel, verão 2009: o jade art déco, monstrando que a estética do entre Guerras está mesmo em alta.



Jean Paul Gaultier, alta costura inverno 2009: glamour hollywoodiano com unhas longas, ovaladas e laranjas.

Jean Paul Gaultier



Unhas neon-pop-80s



Sea of Shoes num momento uma única unha distoante...



...e no arco-íris com bootie Givenchy de quatro temporadas atrás.



2dn Floor num momento Sea of Shoes, verão 2010.

Nas ruas em Nova York (Issac Brekken para o NYT)


Tudo parece divertido e intenso. Penso que são respostas plausíveis ao momento: enlouquecendo, repetindo o passé e criando versões cada vez mais personalizadas, para tempos em que o self chegou ao topo.

Unhas, mais do que os cabelos, podem responder descompromissadamente ao ar dos tempos. (dá para mudar de um dia para o outro sem que isso coloque em cheque a sua identidade. Nos cabelos, não preciso nem dizer o efeito de corte ou uma cor heterodoxa.)

Tanto que há empresas que já desenvolvem um jeito de você se camalear rápido, sem aquele hábito bem brasileiro de esperar uma semana para fazer as unahs e só então mudar o visual. A Minx vive da ideia de criar unhas personalizadas, mas que funcionam não como unhas falsas mas como esmaltes adesivados. Cansou, descolou.

Curioso, mas para mim não funciona. Comecei a sentir vontade de esmaltes opacos, em duas versões:

1. coloridos. Sim, sem brilho algum. Zero. Como os paetês opacos que Andrea Garcia vai usar na próxima coleção. É um glamour subversivo, sem holofotes, um pouco melancólico talvez, desgastado e envelhecido como uma sobrevivente do último Baile Fiscal depois da festa consumista dos últimos anos. Achei aqui (gosto especialemente do rosa pálido) e aqui, seis cores lançadas em julho (Alpine Snow (branco básico), You Don’t Know Jacques! (café com leite), La Paz-itively Hot (rosa-choque), Russian Navy (azul noite), Lincoln Park After Dark (ameixa) e Gargantuan Green Grape (verde abacate).

2. base. Este é o look de unhas que estou usando no momento: lixadas bem curtas, respeitando o formato proposto pelo contorno branquinho. Base opaca é meu objetivo (ainda não conquistado). Testei a base masculina da Risqué nes esperança de dar a unha um verniz fosco e achei nada opaca. A ideia é dar a impressão mais natural possível para as unhas sem que elas fiquem descobertas (preciso do esmalte para ajudar a segurar minhas cutículas frágeis). É como se nas mãos eu já refletisse a regata nadador mescla+perfecto preta+jeans reto índigo blue – um look zerado, sem montação, de recomeço. Que se instale, finalemente, os 90!

11 comentários:

andreza felix disse...

...das unhas para a economia ate chegar na volta que a moda se obriga a fazer aos anos pos depressao contemporanea.
uau!
bela teoria.

intercambiodeguardaroupa disse...

depois de descobrir a alergia a esmalte estou reaprendendo a curtir minha unha natural. lixada curtinha sou obrigada a manter as mãos sempre hidratadas para que as cutículas não "pulem"... um exercício.
e tenho que confessar que me vejo mais séria sem esmaltes. mas quase transgressora no meio de tantas opções de cores. efeitos colaterais positivos de uma necessidade!
ótimo post! ótima perspectiva!
beijo,
michelle

Samantha Simon disse...

Tenho uma enorme dúvida.
Por que os esmaltes basicos nos EUA e europa sao tao caros. Acho que o esmalte do brasil é o mais barato do mundo nao? Colorama, Risque e Impala custam em média dois reais e eles tem super se atualizado com a tendencia internacional...
BTW, hj to de verde... Tentei copiar o jade... Deu medio certo! Um mix de branquinho com verde esmeralda da Riasque!
Beijos

Maria Celina disse...

Simone, semana passada fiz as unhas e passei apenas base, bem clean. Foi o horror, todos acharam as unhas feias assim, nuas. As pessoas acostumaram tanto a usar esmalte que acham feio e com cara de "por fazer" as unhas ao natural.
Mas confesso que a tendência de roer unha é maior quando não passo esmalte.
E ando assim, meio como você, sem muita criatividade para pintar as unhas. Adoro comprar esmaltes de cores diferentes, mas fiquei com preguiça de experimentar. Sinal dos tempos?

Simone Esmanhotto disse...

Oi, Celina! Eu não chamaria de falta de criatividade, sabe? É um reflexo dos tempos, eu penso, uma decisão pensada. É pra limpar e zerar mesmo.

mas é engraçado que a minha manicure está com a maior má vontade comigo. ela não se conforma - é como se ela não trabalhasse... ela vive tentando empurrar uma cor, fala: vc sempre foi a cliente que mais experimentou, mais trouxe novidade, agora tá chata.

acho graça!

um beijo

Vica disse...

Amei essas coloridas!!! No verão, vou aderir!!

blogretalhos disse...

simone, muito bom o apanhado das tendências e amei a reflexão sobre a personalização excessiva nesta dita "hipermodernidade" pensando a moda das unhas. talvez a busca pela discrição (nas cores) também seja uma vontade inerente de se diferenciar, tanto quanto ao optar pelo ultra-colorido e apelativo visualmente.
é a contramão do excesso.
faz muito sentido.
um beijo,
dani.

estillo consultoria disse...

simone, adorei seu caso da manicure. comigo, quem anda reclamando é cabelereira, fala que eu encaretei. hah. é engraçado como que a gente muda, vai e volta. post super inspirador.

Anônimo disse...

Gostaram da embalagem? Fui eu que fiz! Ricardo.

Simone Esmanhotto disse...

qual embalagem?

Regina disse...

Adoro estar com as minhas unhas nuas desde que estejam bem tratadas é claro. Adoro elas ao natural, quando estão pintadas não vejo a hora de tirar tudo não aguento ficar 3 dias com esmalte, faço minhas unhas todo sábado e na terça , já estou trando tudo.

Bjs