terça-feira, 28 de abril de 2009

Miss Bangu – as tecelagens e a criação de moda

Essa foto é daqui.

Bangu, por 'n' razões sociais, virou sinônimo de cafona. Mas o bairro da Zona Oeste carioca já teve seus dias de glória, prova de que a moda tem, além de seu poder embelezador, social.

Nos anos 1950, a Fábrica de Tecidos Bangu manteve o concurso Miss Elegante Bangu.

As mocinhas da alta desfilavam no Copa, tudo devidamente beneficente, com modelos e tecidos Bangu bolados por José Ronaldo.

Sobre ele, Dener, versão azedinho (oba!), disse: "No Rio, é uma pena que José Ronaldo tenha ficado tão acostumado à Bangu. Só criou para a Bangu, só fala de Bangu. Ninguém tem saúde para aguentar sempre a mesma história e os mesmos padrões coloridos". (Dener, o Luxo, pg 100, 1972).

Fato é que a Bangu, criada em 1893, mudou a cara do bairro. Manteve escolas, fez calçadas, tinha creche – acho que seria aprovada como empresa com cara de século 21. Até a década de 60, dizem que foi megaexportadora de tecidos. E aí Bangu começou a desandar (hoje, confesso, não sei como está. Mas sei que na reedição do Miss Elegante Bangu, versão 2007, as pessoas adoraram os guardanapos de linho da Fábrica).

Vista da fábrica em foto de Jean Manzon, o gênio da revista O Cruzeiro, circa 1950.

As tecelagens foram fundamentais para o desenvolvimento da moda brasileira nos anos 1950, começo dos 60. Junto com a Miss Elegante Bangu, no Rio, a Matarazzo-Boussac fazia em São Paulo desfiles com as margaridinhas vestidas pelos costureiros com modelos criados a partir dos tecidos produzidos pela tecelagem do Conde + a Boussac francesa, que nada mais é do que a financiadora de Christian Dior.

Mais tarde, entraria em cena a Rhodia. Um passo anterior à tecelagem.

Para as queridas que estudam moda e me lêem sempre, fica a sugestão. Essa história rende um lindo TCC. Como estão as parcerias hoje? Que papel têm as tecelagens na criação?

8 comentários:

Márcia Mesquita disse...

nossa, simone, alguem ja pegou esse tema? HAHAHAHAH EU QUEROOO
e tenho razão: meu avô paterno nasceu em Bangu em 1905! Depois ele foi ser ferroviário, mas enfim, não preciso falar isso no tcc hehehe. o meu nao é tcc, é monografia da pós lá da Santa, mas adorei!

aliás, acho que 3 apitos, do noel rosa, é para a namorada dele que trabalhava na bangu.

bjs!

thecatwears disse...

e eu nem sabia que existia Bangu...hihi
mas valeu pela aulinha
boa dica!

;*

Priscila Cortez disse...

achei tão lindo o post, pq meu avô trabalhava num cargo alto que eu nao sei bem qual era na fábrica, e foi onde ele conheceu minha avó que era operária. na casa dele tem vários quadros que valem uma fortuna, e sempre que ele me pergunta qual eu quero eu digo que é o mais barato que é um todo feito de recortes de tecidos da fábrica que formam a imagem de uma mulher e um leão, muito lindo. minha tia ainda guarda duas saias de um desfile de tecidos da fábrica que se não me engano quem usou foi a monique evans, mas aí já foi em um tempo menos glamour. o galpão da fábrica foi usado pra filmar o filme olga, não sei bem que partes. áh falei muito! desculpa.

background removal services disse...

Hi. first of all let me say that i like your blog. Great pictures. Thanks for sharing.

Regards,
clipping path

Yan disse...

Simone,

como conseguiu esta foto da Fábrica ?

viajando sempre disse...

Voçê gostaria de ver fotos dos bailes de debutantes e de miss Bangu antigas são da minha mãe ela era belissima e tirou fotos com personalidades da época.Monica de Souza Rio de Janeiro.

Anônimo disse...

Meu nome é Julio Cesar, meus pais se conheceram na fábrica Bangu. Fui criado na creche até os 5 anos e aos 14, fui mais um de seus funcionários. Meu primeiro emprego, aux de tecelão. Lembro-me muito bem e com grande saudade daqueles tempos. Ainda guardo com carinho os nomes de pessoas boas que foram muito importantes pra muitos da creche e da fábrica: Dr. Raul, Dna Terezinha, Dna Leda, etc.
Pena que acabou, entramos em outros tempos...
Para quem gostaria de conversar mais sobre a fábrica, jcdsilveira@bol.com.br

André Freyesleben disse...

Parabéns, fiquei emocionado com a matéria pois minha mãe - Laila (ou Layla) Freyesleben que era miss florianópolis, concorreu no primeiro concurso miss bangu em 1952, realizado no hotel copacabana palace. estou procurando mais informações (inclusive revistas da época) mas não estou encontrando. se alguém tiver mais informações, favor me informar no e-mail andreff99@gmail.com. Obrigado!